A Câmara de Vereadores de Curitiba aprovou nesta quarta-feira (24) em primeira votação projeto que prevê alteração na lei com pena mais rígida para utilizar cerol em pipas. Se aprovada em plenário em segunda votação, a multa do uso da mistura de caco de vidro moído com cola iria de R$ 500 para R$ 2 mil, podendo ser duplicada em reincidência. Até este mês de junho, Curitiba já teve 465 ocorrências envolvendo cerol em 2020, segundo a Guarda Municipal.

A principal preocupação do cerol são os ferimentos causados pela linha com vidro. Principalmente entre motocicliestas. No último sábado ( 20), um homem teve um corte profundo na garganta em decorrência da linha cortante.

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A lei municipal que proíbe o uso de cerol foi publicada em 2005 com sanção do então prefeito Beto Richa (PSDB). Pela regulamentação, o infrator ou seu responsável legal em caso de menores de 18 anos é multado em R$ 500. Em caso de reincidência, o valor da multa duplica. Com a aprovação desta alteração, o valor da pena quadruplica e chega a R$ 2 mil, caso venha a ser aprovado também em segunda votação pelos vereadores. A sessão que vai definir esta mudança será dia 6 de julho.

A alteração na pena foi proposta pela vereadora Fabiane Rosa (PSD), que desde o ano passado percebeu que o valor da multa era baixo comparado à gravidade do problema. “É claro que neste processo é preciso fazer um trabalho de conscientização na população que é proibido. Iremos fazer a apreensão de material e a pessoa vai responder, sendo exemplo para que não se utilize mais o material. A sociedade precisa debater isto que o cerol mata”, disse Fabiane Rosa que incluiu também na proposição, a proibição da chamada linha chilena ( linha original são adicionados pó de quartzo e óxido de alumínio), que tem poder de corte quatro vezes maior que o cerol.

Quase 500 casos

Com a pandemia de coronavírus, mais ocorrências com cerol foram registradas pela Guarda Municipal. A brincadeira virou febre nos bairros e nas cidades da região metropolitana de Curitiba.

Em maio, a Tribuna do Paraná divulgou que a aglomeração de pessoas preocupava também as autoridades de saúde por causa de aglomerações. Na região metropolitana, Piraquara e Pinhais proibiram em decreto municipal que as pessoas brinquem com pipas por 14 dias para impedir aglomerações. As regras fazem parte do plano de ação conjunta das prefeituras para enfrentar a pandemia.

Em Curitiba, já são 465 ocorrências em 20120 registradas pela Guarda Municipal. Em abril, foram apenas 97 casos. Em maio, as ocorrências saltaram para 200 e agora em junho já são 165 casos.

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Sábado (20), um motociclista ficou gravemente ferido ao ser atingido por uma linha de pipa, em Piraquara, na região metropolitana. O rapaz de 23 anos, foi socorrido pela ambulância do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate). Na sequencia, passou por cirurgia no Hospital Cajuru. O corte na região do pescoço foi profundo e por pouco não atingiu uma artéria.

A Guarda Municipal está orientada a agir para impedir tanto o uso de cerol quanto as aglomerações de quem solta pipa. No fim de abril, aconteceram dois festivais de pipas em Curitiba. Na CIC, a Polícia Militar (PM) teve de ser acionada para orientar as pessoas a ir para casa. No bairro Sitio Cercado, a aglomeração chegou a deixar o prefeito Rafael Greca (DEM) muito irritado.

O secretário municipal de Defesa Social e Trânsito, Guilherme Rangel, responsável pela Guarda Munipal, reforça que a população também pode ajudar em denúncias de quem utiliza o cerol. “Temos colocado várias viaturas para monitorar isso, mas nem sempre a denúncia chega a tempo. É muito importante a população ajudar denunciando, pois assim acaba com a aglomeração e o uso do cerol, que pode até matar”, comentou o secretário. O telefone da Guarda Municipal é o 153.


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