Everson Vieira dos Santos provavelmente aproveitou a movimentação de pessoas no Fórum Criminal de Curitiba, que fica no bairro Santa Cândida, para escapar da cadeia. Ele cumpria pena na Penitenciária Estadual de Piraquara, na Região Metropolitana, e estava no local para uma audiência na Justiça. O problema é que, na hora de voltar para o veículo que o levaria de novo ao sistema prisional, o criminoso não foi mais encontrado.

A hipótese mais provável é a de que ele tenha fugido em um momento de distração dos policiais militares responsáveis pela escola dos presos. De acordo com o delegado Luiz Alberto Cartaxo Moura, diretor do Departamento de Execução do Paraná (Depen), a ausência de Everson só foi notada durante a contagem, pouco antes do retorno. “Quando eles foram fazer a conferência para levar os presidiários de volta ao sistema, viram que faltava uma pessoa. Os PMs então procuraram nas celas onde eles ficam enquanto estão no Fórum, mas ele tinha fugido mesmo”.

Foto: Átila Alberti.
Foto: Átila Alberti.

Batalhão de Guarda

A responsabilidade pela escolta e guarda de presos das unidades prisionais do Depen que ficam na Grande Curitiba para audiências, júris, hospitais, delegacias ou outras unidades do Estado é da Polícia Militar. O serviço é executado por quatro grupos de trabalho subordinados ao Batalhão de Polícia de Guarda. Ao todo, 20 Varas Criminais de diferentes Comarcas paranaenses são atendidas.

Providências

Diante do problema, o Depen encaminhou ainda nessa quinta um ofício ao Comando da PM. O documento pede providências administrativas para apurar as circunstâncias e as responsabilidades pela fuga.

Foto: Átila Alberti.
Foto: Átila Alberti.

Problemas crônicos?

Na última segunda-feira (1), também durante uma escolta, Rafael Arcanjo de Oliveira, de 23 anos, foi resgatado por bandidos armados com fuzis em São José dos Pinhais, na RMC.

Ele estava em um veículo de escolta do Depen junto com pelo menos mais nove internos do sistema e dois PMs. Segundo o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), da Polícia Civil, o grupo seria transportado da Casa de Custódia que fica no município para uma audiência na Justiça.

Em vez de acompanharem o veículo do Depen com uma viatura, que é a forma usual, os policiais estavam dentro da van. “Somente a Polícia Militar pode explicar a razão pela qual essa escolta foi feita assim; se não tinha viatura ou estava quebrada ou algo do tipo”, enfatiza Cartaxo.

O Comando da PM foi procurado várias vezes desde o início da semana, mas não esclareceu as razões para que o procedimento tenha sido realizado dessa maneira. Por meio da assessoria de imprensa, a Corporação esclarece que, sendo um órgão vinculado à Secretaria de Estado de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp), cabe à pasta o envio das informações.

Sobre a fuga do preso do Fórum em Curitiba, a PM afirma que um procedimento interno foi aberto pelo Batalhão de Polícia de Guarda para apurar o fato.

Sesp

A Secretaria de Estado de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp) esclarece que a prioridade da pasta é elucidar os fatos, identificar e punir a quem for necessário. O órgão afirma ainda que, em paralelo às investigações, está com licitações abertas para a compra de mil novas viaturas e de armas longas para fazer frente à ação dos bandidos.