É praticamente impossível alguém de Curitiba – quiça do Brasil – não conhecer a Claudia Silvano. Seja pelo brilhante trabalho desenvolvido à frente do Procon Paraná, ou por se deparar com “aquela moça que usa pijamas” dando entrevistas na TV ou assinando sua coluna semanal aqui na Tribuna do Paraná.

No entanto, pouca gente reparou que ao postar seus looks diários no Facebook ou mesmo em uma aparição ou outra em entrevistas, Claudinha “aposentou” os pijamas. É isso mesmo? Uma rápida busca no feed da Claudia Silvano mostra que as últimas fotos não trazem as cores e a alegria dos “pijamões” e das roupas coloridas.

Encucado com essa mudança, fui conversar com este verdadeiro personagem curitibano, que talvez merecesse ainda mais reconhecimento do que tem por sua verdadeira missão de vida: o direito do consumidor.

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Claudinha, aposentou os pijamas? “De jeito maneira. Jamais”, disparou, assustada com a pergunta. Mas então, por que raios a mudança no visual? “Resolvi dar uma mudada, tirar umas roupas velhas do guarda-roupas e testar um visual diferente, com coisas que não estava mais acostumada. Resolvi me permitir, transitar por outros caminhos, que não àquele que o pijama pavimentou”, explicou.

Em um novo momento na sua vida, Claudia acredita que independente de qualquer coisa, e isso é motivo de muito orgulho pra ela, o trabalho continua sendo o foco principal. “A ideia não é a roupa da Claudia, mais sim, o trabalho da Claudia. Nada pode ser influenciado pela roupa que a gente usa, mas sim pelas minhas falas, ações e realizações do nosso trabalho”, contou.

Mas que teve peça de roupa que precisou de um tratamento especial contra traças, isso precisou. “Tinha troço que eu nunca usei que tava lá no guarda-roupas. Tá sendo muito legal e meu trabalho me permite fazer isso”, diverte-se. E muita gente, nessa onda de home office, se abraçou ao #pijamastyle.

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Aliás, antes que alguém relacione a mudança no visual com alguma reprimenda de seus superiores, errou feio. “Capaz, jamais. Muito pelo contrário. Tenho apoio de todos, desde o secretário (Ney Leprevost) e atá o governador (Ratinho Jr), eu acho (risos). O que importa é o trabalho das pessoas”, afirma.

Bandeira do respeito

Clássico pijamão da Claudinha. Foto: Gerson Klaina

Aliás, é nessa toada que Claudinha desenvolveu o papo que tivemos. “Meu sonho é as pessoas serem respeitadas pelo que elas são, não pelo que vestem, por um padrão. Isso não pode ser definidor de nada. É uma agressão ao ser humano medi-lo, julgá-lo a partir disso”, desabafou.

Claudia já fazia um grande trabalho no Procon antes da fatídica participação no Bom Dia Paraná, da RPC, em julho de 2017. Usando roupas coloridas e despojadas, ela surpreendeu ao público e acabou virando meme, com as pessoas relacionando suas roupas a um pijama.

“Foi um acaso. O maior acaso da minha vida, mas foi super legal. Por isso nunca vou deixar de usar os pijamas. Porque eu gosto mesmo. Não sou um personagem, me sinto bem. Mas mesmo tendo mudado um pouco agora, o que eu descobri que o mais importante é o conforto. O colorido eu adoro, mas o que me agrada mesmo é o conforto”, contou.

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E essa bandeira levantada por Claudia é muito importante e essa luta – a intensidade dela é particular – deveria ser de todos. “O padrão é uma desgraça. Ele te obriga a ser quem você não é. Usar um terno, um tailleur, salto alto, é muito pesado, machuca. As aeromoças são lindas e charmosas, mas devem terminar o dia tudo arrebentada. Como é possível ser feliz assim?”, lamentou.

Apesar de existirem alguns códigos de vestuário em determinadas profissões, é possível suavizar essa rigidez. E, o mais importante, fazer com que a competência do trabalho se sobressaia ao tipo de roupa que se veste. “Sorte eu não precisar me submeter a isso, mas trabalhei muito para não precisar, para me sobressair a isso”, afirmou.

Claudia tranquiliza quem é fã de suas roupas alegres e divertidas. “É o momento, uma fase. Mas já tenho até uns pijamas novos para estrear qualquer dia”. Por fim, um recado final: “Seja quem você quiser e seja feliz”, despede-se.