Clamando por Justiça, cerca de 200 amigos e familiares do jovem Pedro Lopes da Luz, de 16 anos – morto com golpes de canivete em um biarticulado, no dia 7 deste mês -, se reuniram em frente à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Curitiba, na manhã deste sábado (22), para homenagear o adolescente e pedir a prisão de Allan Romero Feijó, de 18 anos, rapaz suspeito de ser o autor do crime.

O grupo se concentrou em frente à estação-tubo Hospital Cajuru, no bairro Cristo Rei, na região onde o jovem foi assassinado e seguiu a pé até o Centro da capital. Em frente à delegacia, portando faixas e vestindo camisetas com a foto da vítima, eles ainda rezaram e leram um texto de despedida, sobre Pedro. Durante a manifestação o trânsito na Avenida Sete de Setembro, na região da DHPP, chegou a ser bloqueado, por cerca de 15 minutos.

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Dor e saudade

“A gente está pedindo Justiça, implorando por Justiça. O que aconteceu não tem explicação. Só uma mãe para saber o que eu estou sentindo, o Pedro me faz muita falta, ele era um menino bom, nada justifica o que aconteceu, o que o assassino fez, quero cadeia para ele”, desabafou Andrea Lopes, 40, mãe de Pedro.

Para Luane Lopes, a irmã da vítima, além da saudade o pior é a sensação de impunidade. “Penso nele o dia todo, o assassino tem que ir para a cadeia, minha mãe não pode ficar chorando e ele ficar impune”, disse. Saudosa, Isabella Borges, 16, se emocionou ao lembrar do namorado. “Ele era um namorado sensacional, a gente está sentindo muita falta dele”.

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Segundo o advogado Jeffrey Chiquini, que representa a família de Pedro, a prisão do suspeito e a agilidade no processo poderão trazer algum conforto para seus parentes e amigos. “Este protesto é em prol da celeridade do processo. Todos gritam por justiça, para que o processo seja célere e o outro jovem, responsabilizado pelo o que fez, para que seja pedida sua prisão preventiva. Nesta fase só o delegado e o Ministério Público podem pedir a prisão. O inquérito não foi concluído, está em fase de investigação”.

O crime

O adolescente Pedro Lopes da Luz morreu após ser esfaqueado dentro de um ônibus da linha Pinhais/Rui Barbosa, no bairro Cristo Rei, em Curitiba. O crime aconteceu quando o veículo estava parado na estação-tubo Hospital Cajuru. O menino, de 16 anos, foi socorrido e levado para o Cajuru, mas não resistiu aos ferimentos. Um outro jovem também foi atacado, mas teve ferimentos leves e foi liberado.

Uma semana após o crime, no dia 14, após a polícia divulgar um retrato falado do suspeito, o jovem Allan Romero Feijó, de 18 anos, se apresentou na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e confessou ter sido o autor dos golpes. No entanto, segundo Feijó, o que aconteceu foi um acidente, ocorrido em legítima defesa, para se defender de agressões sofridas.

A briga, ainda segundo o rapaz, começou como uma tentativa de impedir que alguns adolescentes entrassem no ônibus sem pagar a passagem. Pedro, no entanto, tinha pago para entrar no coletivo. Ouvido por uma equipe da DHPP, Allan deve responder em liberdade por homicídio qualificado e por homicídio tentado (já que outro adolescente se machucou, mas sobreviveu).