O ex-governador do Rio Anthony Garotinho venceu a consulta interna realizada para a escolha do candidato do PMDB a presidente da República no último domingo porque, em vez do número de votos, o partido adotou o critério do peso político da legenda em cada Estado. A fórmula de cálculo estabelecida para as prévias partidárias barradas pela Justiça, leva em conta não o número de eleitores da consulta por unidade da federação, mas o número de votos obtidos pelos deputados e senadores peemedebistas em cada Estado, comparado à soma total de votos dos parlamentares do PMDB no Brasil.

Bem que o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), tentou derrubar o critério que impunha perda significativa a seu candidato no Rio Grande. Mas em meio a uma discussão ríspida com Garotinho, Padilha foi atalhado pelo próprio Rigotto, que preferiu evitar o confronto e acatar a fórmula do peso. A partir daí, estabeleceu-se o percentual de cada Estado em relação ao total do Brasil. O Rio Grande do Sul, que tinha 14,9% dos eleitores das prévias, passou a representar apenas 4,2% do total

Ainda assim, houve uma mudança na interpretação do critério acertado entre os candidatos. Partidários de Garotinho queixaram-se da tabela de pesos à comissão de recursos do PMDB e foram bem sucedidos. Conseguiram fazer com o que o índice de ponderação incidisse não sobre o número de votos ao candidato no Estado, mas pelo percentual de votos obtido pelo candidato naquele Estado. Levando-se em conta apenas o percentual, os 27 votos de Garotinho no Pará corresponderam a 3,6% do total Brasil Da mesma forma, os 1.187 votos dados a Rigotto em Santa Catarina foram equivalentes a 3,2% do total.

Foi esta alteração que abriu brecha para o resultado final distorcido. Rigotto obteve exatos 61,19% do total, com 7 580 votos contra 4.807 dados a Garotinho. Mas o cálculo do peso sobre o percentual de votos produziu um placar final em que Rigotto ficou com 44,26% e Garotinho venceu com 46,64%.