Cerca de 1,5 mil vigilantes de transporte de valores vão entrar em greve a partir da zero hora de amanhã, por tempo indeterminado, em todo o Paraná. Essa medida foi deflagrada durante uma assembléia realizada na noite de segunda-feira, na sede do Sindicato dos Vigilantes do Paraná. Com isso, o sindicato da categoria prevê que instituições financeiras fiquem sem dinheiro já a partir do início da paralisação. Outras empresas que necessitam desse transporte, como supermercados e lojas, também podem ser prejudicadas.

Durante as negociações em janeiro e no começo deste mês, os vigilantes pediram 20% de reajuste salarial para repor as perdas dos últimos anos. Os trabalhadores também reivindicaram um aumento no adicional de risco de vida, de 20% para 30% do salário, a fim de equiparar o percentual com o eixo Rio-São Paulo.

As empresas do setor não propuseram reajuste e mantiveram essa decisão desde o início das conversas, de acordo com o Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região. “Eles se recusaram a repor pelo menos as perdas salariais. Isso fez com que a categoria se revoltasse”, comenta João Soares, presidente do sindicato. “As empresas faturam muito dinheiro com o transporte e, na hora de repassar, eles se negam. Subestimaram a capacidade de organização dos vigilantes”, acusa. Ele acredita que os empresários somente retomarão as negociações após o início da greve.

Em uma assembléia realizada na noite de segunda-feira, os vigilantes cumpriram as determinações legais para a greve. Segundo Soares, o Sindicato das Empresas de Transporte de Valores do Estado do Paraná já foi comunicado sobre a decisão. Soares prevê, com um certo exagero, um caos social, como conseqüência da paralisação. “Muitos bancos, inclusive caixas eletrônicos, não terão dinheiro já na quinta-feira. Infelizmente uma medida como esta é necessária”, conta.

Negociações

Gérson Benedito Pires, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Valores afirmou que está difícil atender todas as reivindicações dos vigilantes. “Foi oferecido logo após uma mesa-redonda na Delegacia Regional do Trabalho, na última sexta-feira, um vale-alimentação no valor de R$ 35 e mais reajuste de 1%. Como o valor do vale é aproximadamente proporcional a 4%, na verdade o ofertado foi um reajuste de 5%. Mesmo assim, nada ficou resolvido, pois os vigilantes querem mais. Estamos tentando achar um acordo, oferecemos um reajuste, mesmo não sendo o que eles queriam”, explicou.

Gérson ainda ressaltou que, apenas em três reuniões com os vigilantes não é possível encontrar uma solução para o impasse. Ele disse que está aberto novas a negociações e que hoje será realizado mais um encontro para que se evite um caos com a greve anunciada. “Estamos dispostos a conversar e achar um caminho para que não ocorra uma paralisação total. Acho que a ameaça de os bancos ficarem sem dinheiro não deve existir, pois eles devem estar preparados para qualquer impasse”, diz.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte acredita que existe uma questão política na movimentação. Para ele, os interesses políticos podem estar atrapalhando o bom andamento das negociações entre as duas partes. “Apesar de todas as reivindicações, acredito que exista um interesse político por trás de toda a greve, pois esse ano tem eleições para o comando do sindicato dos vigilantes e de toda a diretoria. Toda essa movimentação pode atrapalhar uma possível reeleição. Isso pode ser interessante para a oposição”, completa Gérson.