Brasília (AE) – Depois da guerra de liminares que transformou as prévias do PMDB em consulta sem valor jurídico e de muita discussão em torno dos critérios que deram vitória ao candidato que obteve pouco mais da metade dos votos do adversário, o governador licenciado do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, anunciou ontem que acata o resultado. Com isso, o pré-candidato a presidente Anthony Garotinho tornou-se o vencedor da consulta interna realizada pelo partido.

Mesmo questionado, o resultado agradou a todo mundo. Garotinho afirma que ganhou e é o candidato. Rigotto diz que obteve o maior número de votos e uma grande vitória política. Os governistas, por sua vez, julgam-se vencedores porque conseguiram barrar as prévias na Justiça. Como o que ocorreu foi uma simples consulta, poderão derrubar a candidatura própria na convenção nacional por maioria simples dos votos. Se o candidato saísse de uma eleição prévia, precisariam reunir dois terços dos convencionais para derrubá-lo.

Partidário da candidatura própria, o presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), também encontrou um caminho para sair-se bem do episódio. Na linha do magistrado, que trabalha para unir todas as corrente do partido, Temer retomou o diálogo com a ala governista ontem cedo, propondo que os aliados do governo e os que rejeitam a candidatura própria para não correr o risco de limitar as alianças nos estados desistam de realizar uma convenção nacional no dia 8.

"Como o objeto desta convenção era desqualificar as prévias que afinal não ocorreram, estou propondo que desistam de realizá-la", disse, ao lembrar que a consulta não passa de um indicativo político, ainda que forte, em favor da candidatura própria do PMDB na corrida presidencial. Os governistas pediram nova convenção porque não tiveram maioria para adiar as prévias na executiva nacional. Agora, eles aguardam a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a verticalização das coligações.