A Polícia Federal esclareceu, através da assessoria de imprensa, em Brasília, que em nenhum momento a instituição cogitou receber a recompensa de US$ 5 milhões oferecida pelo governo norte-americano pela prisão do traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia, no último dia 7, em Aldeia da Serra (SP).

A assessoria enfatizou que a Polícia Federal cumpriu com o papel constitucional da corporação e que a "segurança pública é dever do Estado".

A assessoria comunicou também que a operação não foi isolada e teve a participação de vários órgãos governamentais brasileiros e estrangeiros, incluindo a ajuda da Argentina, Uruguai e Espanha. "Não pleiteamos, não esperamos e não receberemos [a recompensa]", informou a assessoria.

O colombiano Juan Carlos Abadia, acusado de chefiar o cartel de drogas Vale do Norte, é um dos traficantes mais  procurados do mundo pela agência antidrogas dos EUA e foi preso no município de Aldeia da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo. Ele é suspeito de ser o mandante de centenas de homicídios na Colômbia e nos EUA, incluindo de policiais e informantes.

A prisão do traficante fez parte da Operação Farrapos, desencadeada hoje em seis estados. Devem ser cumpridos 17 mandados de prisão e 28 ordens de busca e apreensão para desarticular uma organização internacional de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Segundo nota da Polícia Federal, há dois anos e meio a polícia investigava um esquema criminoso em que os traficantes colombianos transportavam grandes quantidades de entorpecentes para a Europa e EUA. O lucro retornava ao Brasil, saia da Espanha e México e passava pelo Uruguai. Para lavar o dinheiro, a organização investia no ramo imobiliário, industrial e na compra de automóveis.