Documentos foram apreendidos na casa
do empresário Francisco Honorato.

Brasília – Após investigações que duraram mais de um ano, a Polícia Federal descobriu um esquema de fraude nas licitações do Ministério da Saúde, que gerou um rombo de cerca de R$ 2 bilhões entre os anos de 1990 e 2002. A Polícia prendeu 17 pessoas, entre elas Luiz Cláudio Gomes da Silva, coordenador Geral de Logística do ministério.

Chamada “Operação Vampiro”, a ação foi desencadeada às 6h da manhã de ontem no Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro. A Polícia Federal apreendeu diversos documentos e prendeu 9 pessoas, em Brasília, a maioria empresários, e outras 3 em São Paulo e uma no Rio, entre outras.

O esquema foi denunciado pelo próprio ministro da Saúde, Humberto Costa, em 18 de março do ano passado. Segundo ofício do Ministério encaminhado à PF, a empresa Baxter Expor Corporation levantou a suspeita de violação dos envelopes contendo as propostas de preços de quatro licitações para a compra de hemoderivados (derivados de sangue para uso de hemofílicos).

Após 14 meses apurando o caso, a PF, por meio de uma operação denominada Vampiro, desencadeou a apreensão de documentos em vários locais e a prisão de suspeitos. Eles são acusados de tráfico de influência, favorecimento em licitações e corrupção.

Foram expedidos 17 mandados de prisão no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, sendo nove contra funcionários do Ministério da Saúde. Até o início da tarde de ontem, 12 pessoas já haviam sido presas. Entre elas estão Luiz Cláudio Gomes da Silva, coordenador da comissão de licitação da pasta, o empresário Francisco Honorato e o vice-presidente do Jornal de Brasília, Leonêncio Peixoto.

Segundo o secretário executivo do Ministério, Gastão Wagner de Souza, que está interinamente no cargo de ministro, Luiz Cláudio Gomes da Silva era homem de confiança do ministro Humberto Costa e foi convidado para o cargo em agosto do ano passado.

De acordo com o inquérito da PF, que ainda está em andamento, o ministério comprava hemoderivados desde 1990 por cerca de US$ 0,41 a unidade. Esse valor vigorou até março do ano passado. Ao saber da suspeita de fraude, o governo Lula mudou o sistema de licitação. Com isso, o valor unitário dos hemoderivados caiu para US$ 0,24, 42% menor que o pago anteriormente.

Wagner de Souza disse que é justamente essa diferença que corresponde à fraude. Transformado em reais, o valor anual chega a R$ 170 milhões que, no período de 12 anos, chega a R$ 2,04 bilhões.