Ao desembarcar hoje no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, de volta de sua viagem à Argentina e ao Chile, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, pediu paciência para os que aguardam o anúncio de seus ministros e reafirmou que anunciará todo o primeiro escalão de uma vez. “Não estou com dificuldade nenhuma, até porque todas as pessoas que procurei até agora encontrei”, disse ele, negando que enfrentasse problemas para formar seu governo.

Segundo o assessor pessoal de Lula, Gilberto Carvalho, Lula só vai divulgar o Ministério após “comunicar” a executiva nacional do PT, em reunião extraordinária, na sexta-feira. Antes de embarcar para a Argentina, no domingo, Lula havia dito que começaria a anunciar a equipe na quarta-feira.

Hoje, Lula voltou a descartar a possibilidade de manter o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, no período inicial da administração. “Não existe essa possibilidade”, reforçou ele. “Já disse anteriormente que não tenho nada contra ninguém, acho Armínio uma figura competente tecnicamente, mas ganhamos prometendo mudanças na política econômica, um outro rumo para o Brasil.”

Ele ressaltou que está ciente dos prazos para a aprovação dos nomes da diretoria do BC no Senado. “Já fui comunicado umas dez vezes de que tem uma data-limite, tenho essa data na cabeça”, brincou. “Indicarei todos os ministros, o presidente do BC e os diretores de outras empresas públicas, mas isso tem um tempo. E esse é um tempo que cabe a mim escolher.”

Lula ressaltou que só não indicará todo seu primeiro escalão de uma vez caso não consiga fechar todos os acordos com os partidos. “Os nomes serão anunciados juntos, a não ser que não haja acordo com alguma força política aliada”, disse. “Indicar um ministro é coisa séria, porque não posso indicá-lo e daqui a dois dias me arrepender. Tenho de escolher as pessoas certas, o lugar certo, com o apoio certo, para que as coisas dêem certo no País. O povo não pode passar por frustração.”

EUA

Políticos aliados aguardam os nomes até a viagem de Lula aos Estados Unidos, na segunda-feira. Dentro do PT, a indefinição sobre cargos que alguns petistas vão ocupar a partir de 2003 também causa desconforto.

O anúncio do Ministério à executiva petista será uma forma de Lula tentar aplacar as divergências internas e evitar que os descontentamentos no partido sejam debatidos publicamente. O encontro antecederá a reunião do diretório nacional, que ocorrerá neste fim de semana.

Ainda em Cumbica, Lula mandou um recado aos que especulam nomes para o primeiro escalão. “Eu aprendi que o bom político pensa antes de falar, mas o melhor político pensa e não fala”, disse. “Vai ter um momento em que vou falar todos, até porque ministro não é segredo de Estado, quero que ministros sejam pessoas públicas, respeitadas e conhecidas.”

“Não vou indicar o Ministério subordinado à pressão, vou fazer de acordo com a necessidade que o Brasil tem de pessoas que tenham compromisso com o povo brasileiro. A curiosidade de ninguém vai me fazer indicar um ministro antes do tempo”, disse.

Balanço

Lula fez um balanço positivo dos resultados de sua viagem à Argentina e ao Chile. “Acredito que essa viagem deixou claro para a opinião pública brasileira, argentina e chilena a importância que darei ao fortalecimento do Mercosul.” Ele elogiou o jato Legacy, da Embraer, que foi cedido para que ele e sua comitiva fizessem a viagem. “Vamos ver se ele consegue nos levar até os EUA”, emendou Lula, que ainda fez uma brincadeira com a empresa canadense, concorrente direta da Embraer. “Meus amigos da Bombardier certamente não acharão ruim que a gente chegue lá (nos EUA) com um jato da Embraer.”