O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, confirmou que o convênio existente com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que cedia para a instituição pesquisadores como Fabio Giambiagi e Otávio Tourinho, acabará no próximo mês e não será renovado. "O objetivo desse convênio era o de financiamento e desenvolvimento, mas agora o Ipea busca novos temas", explicou.

De acordo com ele, esses novos temas estariam ligados à reestruturação do instituto, que passará a ser mais focado no planejamento e desenvolvimento do País no longo prazo. Segundo o economista, o Ipea não deve se ater apenas ao desenvolvimento econômico, mas também buscar soluções sociais e de caráter regional. "Esta foi uma missão passada pelo presidente da República e devemos terminar o plano de trabalho até o final do ano", afirmou. Desta forma, conforme ele, outros convênios podem ser firmados para auxiliar a obtenção do objetivo, inclusive com o próprio BNDES, mas desde que o foco seja diferente do atual. O economista informou também que, para a confecção do projeto, estão sendo consultadas universidades brasileiras e instituições internacionais.
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Pochmann disse que não é possível refazer o arcabouço do Instituto contando com um quadro de profissionais que não é contratado diretamente pelo Ipea. "Estes profissionais citados pela imprensa são profissionais do BNDES, recebem pelo BNDES e agora acabará o convênio", disse. Na quinta, a Folha de S. Paulo trouxe a informação de que o Instituto estaria "expurgando" economistas que não seriam alinhados com o atual pensamento econômico do governo e, nesta sexta, o Estado de S. Paulo revela que cinco das seis diretorias da casa já foram trocadas desde a chegada do novo presidente, em agosto.

O economista disse que não imaginava o tamanho que a repercussão das mudanças (as já realizadas e as que estão para ocorrer no Instituto) tomou na imprensa nos últimos dias. "Estou surpreso com a dimensão que tudo isso está tomando", disse. De acordo com Pochmann, estas repercussões se tratam de um mal-entendido. "Não faz parte da minha trajetória pública expurgar ninguém", disse ele, que é professor da Unicamp, já foi secretário da Prefeitura de São Paulo, assessor do então ministro do Trabalho Walter Barelli e agora está à frente do Ipea.

Pochmann disse ainda desconhecer qualquer "animosidade" ou descontentamento por parte de funcionários dos escritórios do Ipea no Rio de Janeiro ou Brasília. "Não vou censurar ninguém, não há argumento que justifique isso. Tanto que, para realizar o novo projeto do Ipea, é fundamental haver pluralidade de pensamentos", argumentou.

Ele informou que o projeto, quando já estiver desenhado, será submetido ao Conselho de Orientação do Instituto, que conta com nomes como o de Antonio Delfim Netto, João Paulo dos Reis Velloso e Luiz Carlos Bresser-Pereira. "É a primeira vez que o Ipea tem um conselho de orientação. Como podemos ser acusados de censores?", questionou, explicando que o conselho, no entanto, ainda não está oficializado e que sua primeira reunião será marcada apenas após o término do projeto sobre o novo Ipea.