O Instituto Nacional do Meio Ambiente (Ibama) encaminha amanhã ao Ministério Público Federal um relatório pedindo a responsabilização do Ministério do Trabalho e dos órgãos de Turismo do Estado para envolvimento efetivo num problema recorrente: crianças capturando e maltratando animais silvestres para que turistas fotografem, cobrando de R$ 5 a 30 ou em dólar. "Obviamente são os pais das crianças que obrigam a este trabalho ilegal infantil, mas dificilmente conseguimos chegar aos adultos para multar, por isso precisamos do Ministério do Trabalho e, principalmente, do engajamento dos órgãos de turismo do Estado", disse Cordeiro.

Só este ano foram apreendidos com crianças de 5 a 12 anos mais de 300 animais silvestres em pontos turísticos de Manaus. "Infelizmente, como não há punição a essas crianças porque não é da alçada do Ibama, no dia seguinte elas estão lá capturando os animais e mostrando aos turistas. A reincidência é comum: em alguns lugares vemos as mesmas crianças, que deveriam estar na escola e estão ali maltratando os animais", lamenta o chefe da fiscalização do Ibama, Adilson Cordeiro.

Ontem o Ibama apreendeu 45 animais silvestres que estavam sendo oferecidos, amarrados e amordaçados, para serem fotografados por turistas. Entre os animais apreendidos, os que apresentavam maior risco de morte por maus tratos eram 15 periquitos, alguns com apenas 1 dia de vida. As aves estavam dentro de panelas tampadas, abertas na hora da fotografia.

Blitz

Os animais foram encontrados em apenas duas horas de fiscalização nos lagos Janauary e Salvador, braços do rio Negro. Em um restaurante, onde estavam diversas embarcações, com mais de 200 turistas, os fiscais foram informados que muitos moradores do lago mantinham diversos tipos de animais aprisionados com o intuito de abordar as canoas com turistas que saem do restaurante para um passeio no igapó. Segundo os levantamentos há mais de 50 pessoas que oferecem animais para que os turistas possam pegar e fotografar.

Na blitz de desta terça-feira foram apreendidos 15 periquitos, 2 araras, 3 jacarés, 7 preguiças, 7 jibóias, 1sucuri, 2 macacos mico-de-cheiro, 1 socó-boi e 7 quelônios. Alguns tinham a boca costurada para não morderem. Todos os animais foram levados para o Centro de Tratamento de Animais Silvestres do Ibama, onde receberam atendimento de veterinários do órgão. Depois de recuperados, eles serão devolvidos ao habitat natural.