São Paulo – Os cometas não são objetos tão raros como se imagina. Tanto que dois deles estão visíveis no céu atualmente, em horários diferentes, e poderão ser observados ao mesmo tempo a partir de terça-feira – isso sim, um espetáculo raro. O C/2001 Q4 (Neat) estará hoje no horizonte noroeste, do pôr-do-sol até as 22h30. Já o seu companheiro, C/2002 T7 (Linear), exige certo espírito esportivo do observador: estará visível amanhã antes do nascer do sol, a partir das 4h30, na direção leste.

Os nomes, de difícil digestão, têm sua razão científica. A letra C significa que são cometas novos, nunca antes observados. A data corresponde ao ano em que foram descobertos e as letras Q e T, às respectivas quinzenas de cada mês: a primeira quinzena de janeiro é A, a segunda é B, e assim por diante. O número seguinte representa a ordem dos cometas descobertos naquele período.

E a sigla em parênteses indica o projeto responsável pela descoberta: Near Earth Asteroid Tracking (Neat) e Lincoln Near Earth Asteroid Research (Linear), ambos programas para detecção de asteróides próximos da Terra.

Gás e poeira

Os cometas não são exatamente asteróides, apesar de se parecerem muito com eles. São objetos rochosos, mas cobertos de gás e poeira congelada, que se evaporam à medida que se aproximam do Sol, formando a característica cauda. “Os cometas são corpos formados no início do sistema solar, só que em regiões muito frias e distantes do Sol”, explica o astrônomo Enos Picazzio, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo.

Ambos os cometas são visíveis a olho nu, mas não espere enxergar nenhuma grande bola com cauda rasgando o horizonte. Sem um telescópio, tudo que será visível é um ponto luminoso, estático e difuso. É recomendável usar binóculo. O melhor período de observação vai até o fim do mês, quando o brilho dos cometas estará mais forte. A partir de terça já será possível ver os dois ao mesmo tempo no céu, no início da noite.