Proprietários, comerciantes, investidores e a comunidade em geral lotaram na última sexta-feira (29) o auditório da Câmara Municipal de Castro para a primeira audiência pública que debateu o processo de tombamento do Centro Histórico, apresentado pela Secretaria da Cultura, por meio da Coordenadoria de Patrimônio Cultural (CPC).

Um estudo minucioso em todos os detalhes explorou a arquitetura histórica do tempo do tropeirismo, o inicio da ocupação dos Campos Gerais, no Segundo Planalto. Para reforçar os estudos, a platéia ouviu os depoimentos de especialistas como Suzanna Sampaio, do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), Dalmo Vieira Filho, superintendente em Santa Catarina do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o ex-prefeito da Lapa, Sérgio Leoni ? que vivenciou todo o processo de tombamento do Centro Histórico da Lapa, e ainda a arquiteta e chefe da Coordenadoria do Patrimônio Cultural, Rosina Parchen.

?Castro é uma cidade tranqüila, com qualidade de vida e imóveis lindos que precisam ser preservados. Deve haver uma preocupação e, atualmente, existe um grande movimento mundial para que as rotas de itinerários históricos sejam preservados. E Castro viveu intensamente o Tropeirismo. Há na cidade exemplos do modelo português de urbanismo que não podem ceder lugar à especulação imobiliária?, argumentou Suzanna Sampaio. Segundo ela, a cidade tem potencial para entrar no rol dos tombamentos nacionais.

Na análise de Rosina Parchen, ainda há em Castro muitas dúvidas e alguma inquietação sobre o tombamento. ?Existe a preocupação com uma possível desvalorização dos imóveis e com o impacto econômico na região. Como esta foi a primeira audiência pública realizada a pedido da Secretaria de Estado da Cultura, ainda vamos trabalhar muito com cada proprietário, com a Prefeitura e Câmara de Vereadores para que todas as dúvidas sejam sanadas, que o tombamento represente desenvolvimento, e que a comunidade perceba novas formas de explorar a história do município?.

O projeto de tombamento do Centro Histórico de Castro foi solicitado pelo Ministério Público do Estado do Paraná, em 12 de setembro de 2002. Em 2004, iniciou a preparação da documentação e o reconhecimento da área.

Histórico

O tropeirismo foi fator decisivo na criação de Castro. Os tropeiros pernoitavam às margens do Rio Iapó, ponto obrigatório de passagem de tropas de Viamão (RS) a Sorocaba (SP). Dessa forma originou-se a primeira denominação do local: Pouso do Iapó. Em 1774, o pouso foi elevado à categoria de Freguesia Nova Sant?Anna do Iapó. Em 1789, tornou-se Vila Nova de Castro, em homenagem a Martinho Mello e Castro, então Secretário dos Negócios Ultramarinos de Portugal. Em 21 de janeiro de 1857, a Vila Nova de Castro tornou-se a cidade de Castro.

O tombamento é a mais efetiva e tradicional das formas de preservação de um bem ou conjunto de bens, garantindo a manutenção de suas características originais pelo poder público. Castro possui grande quantidade de bens tombados, entre eles o Museu do Tropeiro, construído no século XVIII, demonstrando a arquitetura tipicamente colonial; a Fazenda do Capão Alto, com arquitetura da segunda metade do século XIX; a Estação Ferroviária, inaugurada em dezembro de 1899; e a Igreja Matriz de Sant?Anna – não tombada, mas uma referência histórica – padroeira do Pouso do Iapó que, concluída em 1860, possui esculturas de madeira feitas pelo Frei Mathias de Gênova, no século passado, e lustres de cristal doados por Dom Pedro II. Casas e casarões que datam de meados do século XIX também podem ser encontrados em Castro, formando um conjunto de bens importantes para a história do município e do Estado.