O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), subordinado diretamente à Presidência da República, finalmente aprovou a retomada da construção da usina nuclear Angra 3, no Estado do Rio de Janeiro. As obras devem começar esse ano, mas a energia gerada somente deverá chegar ao mercado em 2013.

A conclusão do projeto, que para contar com técnicos especializados na multiplicidade sofisticada das operações terá de iniciar imediatamente a preparação dessa mão-de-obra, vai exigir a liberação de R$ 7,2 bilhões para o aparelhamento do sistema de produção de combustível nuclear.

Na semana passada, o TCU tornou pública uma relação de 400 projetos financiados com recursos da União, cujas obras estão paralisadas ou abandonadas de vez, com imenso prejuízo ao erário. Angra 3 é um mau exemplo da leniência da gestão federal, pois a decisão de concluir o projeto foi procrastinada por vários anos.

O CNPE é formado por integrantes de oito ministérios e a decisão foi aprovada por sete votos a um. O único voto contrário foi o do Ministério do Meio Ambiente, dado pelo representante da ministra Marina Silva, o secretário-executivo João Paulo Capobianco.

A usina terá capacidade para produzir até 1.350 megawatts (MW), mas muito antes que a energia esteja disponível, especialistas do setor asseguram que haverá necessidade de injetar energia nova no sistema para evitar o risco do desabastecimento.

O voto isolado contra Angra 3 assinala a supremacia temporária dos desenvolvimentistas no atual modelo administrativo.