Após dois anos de embate, José Dirceu e João Francisco Daniel fecharam ontem um acordo no Fórum de Santo André que levou à extinção do processo por danos morais que o ex-ministro-chefe da Casa Civil movia contra o irmão do prefeito Celso Daniel – assassinado em janeiro de 2002. Diante da juíza Ana Cristina Ramos, da 8ª Vara Cível, João Francisco declarou que não pretendia "ofender a honra" do ex-ministro quando declarou ter ouvido de Gilberto Carvalho, assessor especial do presidente Lula, que dinheiro de propina era levado para Dirceu quando este presidia o PT. "O réu (João Francisco) não teve a intenção de imputar crimes ao autor (Dirceu)", diz o termo do acordo.

O pacto foi redigido conjuntamente pelos advogados Francisco Coelho (que defende João Francisco) e Ricardo Tosto e Paulo Guilherme Lopes (defensores do ex-ministro). Dirceu não compareceu. "Não há vencidos nem vencedores", diz o texto. "Acho bastante positivo o resultado do acordo, não deixa de ser um alívio", disse João Francisco à saída da audiência. "Nunca tive intenção de ofender o ex-ministro, eu quero é que o assassinato do meu irmão seja esclarecido.