A peça “O Estrangeiro”, um dos mais famosos romances do século XX, do escritor Albert Camus, entra em cartaz na próxima sexta-feira (16), no Teatro da CAIXA Cultural Curitiba. O monólogo é estrelado por Guilherme Leme, com estreia de Verz Holtz na direção, tem iluminação de Maneco Quinderé e permanece em exibição até 18 de abril.

Meursault leva uma vida banal: recebe a notícia da morte da mãe, comete um crime, é preso, julgado e arrastado pela correnteza da vida e da história. Seu drama pode ser lido como o drama de qualquer pessoa do seu século, que se depara com o absurdo, ponto central da obra de Camus. O protagonista não encontra consolo para o que acontece em sua trajetória, não acha explicação na fé, religião ou ideologia, ou seja, não tem onde se amparar. É um homem livre, sua vida está em aberto. Ele se depara e se angustia diante da liberdade e do absurdo e quando descobre que essas duas condições são intrínsecas, finalmente encontra a paz.

A versão apresentada é do dinamarquês Morten Kirkskov, amigo de Guilherme, assistida pelo ator e por Vera Holtz na própria Dinamarca. O processo de maturação da ideia para a encenação da peça durou dois anos, período em que o ator fez leituras dramatizadas para amigos. “Eu já gostava do livro e fiquei encantado com a possibilidade de levar ‘O Estrangeiro’ aos palcos”, conta Guilherme. A Casa da Gávea, o teatro da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes e a Oficina da Palavra – Casa Mário de Andrade foram abrigo para as leituras do ator, além dos encontros com a amiga e diretora Monique Gardenberg, o filósofo Fernando Muniz e o jornalista e crítico literário Manoel da Costa Pinto. “É como se eu tivesse feito alguns workshops pelo Brasil até chegar ao ponto de estrear mesmo, como uma fruta que amadurece, então chamei a Vera para me ajudar na direção, já que ela estava presente no ponto inicial da história”, explica Leme.

Vera Holtz aceitou o desafio de dirigir o amigo, apesar da agenda atribulada. “Aceitei dirigir o Guilherme porque somos amigos há 20 anos e existe uma cumplicidade muito grande entre nós. Já trabalhamos juntos na televisão e no palco, mas agora posso exercer outro olhar e ver o Guilherme de fora”, explica. “Não tenho a pretensão de ser uma diretora, que considero quase uma entidade. Disse ao Guilherme que ele cuida da parte da encenação e eu dirijo o ator porque gosto muito da interpretação”, explica Vera, que está gostando do que ela chama de “exercício teatral”.

Outro desafiado nesta história é o consagrado iluminador Maneco Quinderé. “O Sol é fundamental no livro do Camus. O Sol é, na verdade, um personagem da história e eu queria contracenar com o Sol na peça. Cheguei pro Maneco e falei: você não vai iluminar, você vai atuar comigo em ‘O Estrangeiro’. E o Maneco também aceitou sua primeira participação como iluminador/ator”, explica Guilherme. Completam a ficha técnica a jovem e talentosa cenógrafa, Aurora dos Campos, de A Forma das Coisas e Os Quartos de Tenesse, além da trilha incidental criada por Marcelo H.

“Além de ser uma narrativa seca das desventuras de Meursault, condenado à morte por matar um árabe, é também uma autobiografia de todo mundo, do homem contemporâneo”, conclui Guilherme Leme.

Serviço:

Teatro: “O Estrangeiro”
Local: Teatro da CAIXA
Endereço: Rua Conselheiro Laurindo, 280, Centro – Curitiba/PR
Data: de 16 a 18 de abril
Horários: sexta e sábado 21h e domingo 19h
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia – conforme legislação e clientes CAIXA)
Informações: (41) 2118-5111