Porto Alegre – Os jogadores do Internacional, campeão mundial de clubes, foram recebidos pelos torcedores em clima de festa e final do campeonato no Estádio do Beira-Rio, na tarde de ontem.

Depois de mais de cinco horas de carreata desde a Base Aérea de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, a equipe recebeu no gramado a ovação de mais de 50 mil torcedores, entrado no gramado por volta das 16h30 desta terça.

Apesar do cansaço pelas mais de 24 horas de viagem e pelas atuações na Copa do Mundo de Clubes, os jogadores correram pelo campo e deram a volta olímpica, sob o som do hino do clube. O goleiro Clemer, um dos principais jogadores durante a competição, entrou em campo com a taça. ?Toda essa nação tem de festejar, eles merecem. Foram eles que impulsionaram essa vitória no Japão?, disse Iarley, campeão mundial pela segunda vez – havia vencido com o Boca, em 2003.

?Agora é que caiu a ficha, o maior título que um clube pode conseguir o Inter hoje tem?, afirmou o técnico Abel Braga, emocionado. ?É um ano que jamais vai ser esquecido, com todos os problemas que nós tivemos e conseguimos superar, com muita humildade e eficiência?, completou o técnico, que levou o time à Libertadores e ao vice do Brasileiro, e que chegou a balançar no cargo ao perder o título gaúcho para o Grêmio, em abril.

?Eu nunca tinha visto uma coisa dessas, nem em jogo. Acho que os jogadores merecem essa festa e eles também, porque torceram por nós e nunca deixaram de acreditar?, disse o zagueiro Fabiano Eller.

Os jogadores passaram praticamente a tarde toda em cima de um caminhão de bombeiros, e seguiram pelas ruas da capital gaúcha em clima de total informalidade – a maioria sem camisa e vários sem se preocupar em aparecer em público com latinhas de cerveja na mão. Não foram registrados incidentes graves, ao contrário do embarque para o Japão, há duas semanas, quando três torcedores ficaram feridos por causa de tumultos.

Enquanto isso, o público que esperou desde manhã no Beira-Rio era aquecido por vários shows musicais – o grupo Nenhum de Nós, com o vocalista Thedy Corrêa vestindo a camisa do Inter, foi o último a se apresentar.

Inter será o time a ser batido em 2007, diz Fernandão

Porto Alegre – O meia-atacante Fernandão diz que conquistar o bicampeonato da Libertadores será a prioridade do Internacional em 2007, mas admite que a tarefa não será nada fácil, já que o campeão mundial de clubes estará na mira de todos os adversários. ?No ano que vem, a gente vai ser a equipe a ser batida, todo mundo vai querer tirar uma casquinha do campeão do mundo?, disse o capitão, na chegada dos jogadores ao Beira-Rio, onde cerca de 50 mil torcedores receberam os campeões

?Acima de tudo, queremos buscar o bi da Libertadores e voltar ao Japão. Estar lá é muito bom?, disse Fernandão, um dos mais saudados pela torcida, e que admitiu ter segurado o choro ?mais de dez vezes? durante as mais de cinco horas de trajeto da Base Aérea de Canoas até o Beira-Rio, no alto de um caminhão do Corpo de Bombeiros.

Fernandão aproveitou para reiterar os elogios que fez aos companheiros, pela união e pelo espírito de luta. ?Esse grupo foi brioso, lutou o tempo todo e não se contentou em fazer a história pela metade. Eu respeito o Barcelona, como grande equipe que é, mas a gente foi superior e mereceu vencer?, concluiu o capitão, que deixou a decisão de domingo com cãibras e deu lugar a Adriano, autor do gol do título.

O meia, que foi muitas vezes vaiado pela torcida, até mesmo antes de entrar em campo, demorou a aparecer no gramado, mas, quando o fez, foi saudado pela torcida aos gritos e até pedidos de perdão. ?Eu nunca tive raiva da torcida. Passei um momento ruim, mas graças a Deus agora vou poder dar uma seqüência boa no meu trabalho?, explicou.

O goleiro Clemer, um dos mais empolgados durante a festa no Beira-Rio, disse que nunca vai esquecer a saudação da torcida. ?Tudo isso faz com a gente se sinta ainda mais feliz?, afirmou o camisa 1, que teve sua presença na Copa do Mundo de clubes questionada, por ter acabado de se recuperar de uma lesão – no último jogo antes da viagem, ele falhou feio na derrota por 3 a 0 para o Goiás. ?As pessoas às vezes se precipitam um pouco, eu ainda estava me recuperando, mas tiveram confiança em mim e graças a Deus fui crucial para que a equipe conquistasse todos esse títulos?, disse, sem falsa modéstia.