O técnico Paulo Bonamigo comemora o título.

É como se um enorme peso tivesse sido tirado de suas costas. A comemoração do técnico Paulo Bonamigo após o título paranaense foi um misto de euforia e alívio – de ter conseguido uma conquista esperada pela torcida, ansiada pela diretoria e procurada por ele.

Bonamigo teve, na tarde quase noite de domingo, a partida mais importante de sua carreira como treinador. E um divisor de águas na carreira.

Ele tentou manter durante a semana passada a tranqüilidade, mas era evidente que ele também estava ansioso. Ao dar entrevistas, ele media cada palavra para que não transparecesse a expectativa (ou quase certeza) do título. No domingo, Bonamigo se comportou como sempre, apesar de mais agitado que o normal. Nos noventa minutos, ele se agitou, cobrou forte marcação, exigia atenção e não aceitava vacilos. Exemplo: Willians, que entrou no segundo tempo, tentou algumas embaixadinhas quase na linha de fundo. Enrolou-se, perdeu a bola e cedeu um escanteio para o ACP. O técnico esperou que o lance encerrasse e que o volante passasse perto dele para reclamar com extrema veemência.

Quando Héber Roberto Lopes apitou o final da partida, o treinador conseguiu se desvencilhar dos abraços e das comemorações. Andava praticamente despercebido quando teve a idéia de jogar a camisa para a torcida. Naquele momento ele não estava mais sozinho – repórteres, torcedores e agregados tentavam ouvi-lo, abraçá-lo, segurá-lo. Ele pouco falou e desceu para o vestiário. Ali, provavelmente sozinho, Bonamigo teve o real entendimento do que estava acontecendo.

Ao voltar para o campo, minutos depois, o técnico alviverde parecia anestesiado. Ao ser ouvido pelos jornalistas, ele estava ofegante, emocionado. “É o título mais importante da minha vida”, afirmava, enquanto era abraçado pelos jogadores. “Esse elenco merecia a conquista, porque sempre se esforçou, nunca abandonou o projeto do título paranaense”, resumia. E nada mais disse no campo – foi pego pelos seus comandados e jogado para o alto.

Enquanto a volta olímpica corria solta, o treinador voltava ao vestiário. E ao sair de lá, já era o Bonamigo que todos conhecem. “É a hora da valorização profissional de todos que participaram desse título”, completou. Mas, acima de tudo, da valorização do próprio Bonamigo, que entra de vez na lista dos treinadores ?emergentes? do futebol brasileiro.

Tanto é verdade que seu nome é bastante comentado no caso da demissão de Tite, técnico do Grêmio. Apesar disso, o comandante alviverde garante que não pensa em sair do Alto da Glória. “Tenho contrato até dezembro e pretendo fazer um bom trabalho no Brasileiro”, finalizou.

Coxa não pára na festa e já arma o time do brasileiro

Cristian Toledo

O dia foi de “recesso”, nas palavras do secretário Domingos Moro. Mas o calendário do futebol brasileiro não permite muita festa para o Coritiba. O objetivo agora é uma boa campanha no campeonato brasileiro, que começa para o Cori no domingo, contra o Flamengo, no Maracanã. Se para essa primeira partida as caras serão as mesmas, para a seqüência da competição devem chegar pelo menos três jogadores. Um deles foi destaque do Paranavaí no campeonato estadual.

O Cori não pode inscrever mais nenhum jogador para a primeira rodada do Brasileiro porque o regulamento do campeonato prevê que, para o primeiro jogo, os atletas precisariam ser registrados até a última quinta-feira. Como não houve nenhuma contratação, o elenco que terminou o Paranaense será integralmente mantido. A diretoria justificou dizendo que o momento era de total atenção à final com o Paranavaí.

Mesmo assim, os dirigentes conversavam sobre possíveis contratações. Quinta-feira foi realizada uma reunião entre o presidente Giovani Gionédis, o secretário Domingos Moro e a comissão técnica, e o principal assunto da conversa foi a formação de uma lista com jogadores que interessam e que podem reforçar o clube. “Nós precisamos de no mínimo três jogadores: um atacante, um armador e um jogador para a defesa”, afirmou o técnico Paulo Bonamigo.

Esse defensor seria Daniel, uma das revelações do Paranavaí no campeonato paranaense. Domingo, ainda no gramado do Couto Pereira, ele foi procurado pelo coordenador técnico Sérgio Ramirez e Domingos Moro confirmou que há o interesse pelo jogador.

A característica dos outros jogadores também já é conhecida. A prioridade é contratar um meia-armador. Ainda não há nomes ?favoritos?, mas um sonho ficou no ar -Souza, campeão brasileiro com o Atlético, e que está no futebol russo, seria o reforço ?ideal?. Além deste armador, podem vir um ou dois atacantes. “Seriam jogadores de velocidade, ao estilo do Edu Sales. O elenco já tem jogadores de frente como o Marcel e o Marco Brito”, explicou Ramirez.