A cena é do último jogo na Vila Capanema, no sábado da semana passada (3). Após o empate sem gols com o América-MG, torcedores do Paraná Clube se apertaram nas proximidades do túnel e vaiaram e xingaram os jogadores. Um deles parou. Rodolfo, que não estava sendo cobrado – pelo contrário, aplaudido -, pedia aos público paciência. “Ninguém está de corpo mole aqui”, dizia. Não contente em falar de longe, o zagueiro foi até o alambrado conversar de perto. Argumentou, ouviu a torcida e saiu ainda mais aplaudido.

Neste sábado (10), após a derrota por 2×0 para o Vitória, em Salvador, Rodolfo deu entrevista para o SporTV. “A gente tem que começar a ver os erros que estão acontecendo para voltar a vencer. É hora de ficar quieto e trabalhar”.

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Nos dois momentos o camisa 4 do Tricolor foi perfeito. Não há, e isso é nítido, qualquer possibilidade de corpo mole ou falta de vontade por parte dos jogadores do Paraná. A ponto de eles saírem desgastados de cada jogo, por tanto que correm em busca de soluções. O problema não é esse – e, posso garantir, geralmente não é esse, por mais que os gritos de ‘raça’ sejam ouvidos em séries de resultados ruins.

O principal problema paranista é a falta de opções no elenco. Olhando o time-base montado por Matheus Costa, é possível ver um postulante real ao acesso para a primeira divisão. Mas quando algum jogador fica fora, a reposição não tem o mesmo nível. E o time sente. No jogo contra o Vitória, por exemplo. Eder Sciola é um dos mais regulares jogadores da equipe. Também é um líder. Jovem, Léo Príncipe não pode substituir o titular nesse aspecto, e tecnicamente ficou devendo.

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É assim quando outros jogadores desfalcam o time. Matheus Anjos anda fazendo uma falta danada – é só ver como João Pedro caiu de produção. Bruno Rodrigues foi uma tacada certeira da diretoria, tanto que não tem substituto à altura. E mesmo Jenison, que alterna boas e más atuações, é hoje absoluto.

Aí não há treinador que consiga fazer o nível de atuação ser mantido. Diante do Vitória, só houve um momento que pode ser considerado bom – a reta final da partida, e mesmo assim o Paraná correu risco de levar mais gols. Matheus Costa tentou manter o perfil da equipe, com rapidez dos lados do campo e um meia criativo, mas não funcionou sem Bruno Rodrigues e Matheus Anjos.

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Restaram lampejos de jogadores como Rafael Furtado e Alesson, que entraram no segundo tempo, e a valentia constante de Guilherme Santos – que, suspenso, vai fazer falta no jogo contra o São Bento. A torcida é que os titulares do Tricolor voltem logo, pois sabe-se que a capacidade de investimento neste momento é baixa, ainda mais sem a venda de Jhonny Lucas. Inteiro, o Paraná é candidato ao acesso. Remendado, vai ter que lutar para ficar entre os primeiros.