Foto: Ciciro Back

Dono da pelota: Gomyde conversou com o chefão da CBF e recebeu o Caderno de Encargos da Fifa.

O Paraná foi oficialmente convidado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a se adequar às exigências da Fifa e concorrer a ser uma das 12 sedes da competição – caso o Brasil seja confirmado como anfitrião da Copa de 2014. Desta maneira, coloca-se um ponto final nas especulações de que o Estado teria sido preterido pela CBF e não estaria nos planos da entidade para sediar os jogos da Copa. Essa idéia ganhou força na semana passada, quando o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, visitou os governadores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, e pulou o Paraná.

Na manhã de ontem, Ricardo Teixeira entrou em contato com o diretor-presidente do Paraná Esportes, Ricardo Gomyde, e falou da intenção de enviar o Caderno de Encargos da Fifa ao Estado. Horas depois, o ?famoso caderno? – que estabelece as exigências e os requisitos para a realização da Copa do Mundo de 2014 – chegou ao gabinete do governador Roberto Requião.

O Paraná-Online entrou em contato com Ricardo Gomyde e descobriu que na próxima semana deverá ser lançada uma comissão oficial para tratar essencialmente dos preparativos para uma eventual disputa de jogos no Paraná.

Ele adiantou que ainda não há um projeto pronto do governo para que o Paraná brigue por uma das sedes da Copa. ?Não há projeto, há conversações e articulações. Mas posso assegurar que nenhum outro estado apresentou projetos à CBF?, disse.

O presidente do Paraná Esportes deve encabeçar a comissão que ficará responsável por estudar a viabilidade de projetos a serem apresentados por clubes e Federação Paranaense de Futebol. A seguir principais trechos da entrevista:

Paraná-Online: Há um projeto do governo para o Paraná sediar jogos da Copa de 2014, caso ela venha a ocorrer no Brasil?
Ricardo Gomyde: Não há projeto, há conversações e articulações. O projeto político está sendo feito. Mas posso assegurar que nenhum outro estado apresentou projetos à CBF. O Ricardo Teixeira visitou vários estados e entregou o caderno de Encargos.

A visita foi para divulgar a Copa de 2014.

Paraná-Online: Se não há um projeto, o que temos de concreto até agora?
Gomyde: Na próxima semana será criada uma comissão, a qual devo presidir, para tratar de assuntos relacionados à Copa. A comissão analisará quais locais são compatíveis e quem tem capacidade de se adequar às exigências da Fifa e capacidade de angariar recursos para investimentos. A primeira discussão tem que ser técnica.

Paraná-Online: Está agendada alguma reunião com o presidente da CBF?
Gomyde: Temos um ótimo relacionamento com a CBF e sempre mantemos contato.

O Ricardo Teixeira viajará para fora do Brasil e passar a semana toda fora. Não há nada agendado.

Paraná-Online: O Paraná corre riscos de ficar de fora da Copa de 2014.
Gomyde: Pelo o que o Estado representa para o Brasil, acredito que não.

Paraná-Online: Sobre a construção de um novo estádio para abrigar os jogos – como pretende o presidente da FPF (Onaireves Moura) – o governo tem algum posicionamento?
Gomyde: O governo não tem preferência por nenhum estádio. Vamos escolher dentre as estruturas a serem apresentadas a que melhor se amolda ao Caderno de Encargos da Fifa. Não há sequer uma cidade escolhida. Londrina também já manifestou o desejo de ser sede. O Atlético está na frente porque seu presidente já está articulando…

Paraná-Online: Comentou-se a possibilidade do senhor suceder Onaireves Moura como presidente da FPF…
Gomyde: Fico contente que algumas pessoas tenham lembrado do meu nome, entretanto não é hora para discutir isso. O mandato do Moura é até março ou abril do próximo ano.

Paraná-Online: Mas há algum empecilho em assumir a FPF. O Gomyde enfrentaria a resistência de algum clube, do Atlético, por exemplo? (Nas últimas eleições do Coritiba, em 2005, Gomyde foi candidato a vice-presidente do Coritiba, na chapa de oposição liderada por Tico Fontoura).
Gomyde: Tenho uma boa relação com as pessoas que fazem futebol no Estado e por isso devem ter cogitado meu nome. Mas em nenhum momento essa questão foi tratada. É para mais tarde. Discutir uma sucessão agora só atrapalha. É hora de unir e não dividir.

Somente assim poderemos trazer uma das sedes para o Paraná.

Petraglia em nova cruzada

Cahuê Miranda

A missão de Mário Celso Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo do Atlético, parece ter ficado um pouco mais fácil na tarde de ontem. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enviou ao governador do Paraná, Roberto Requião, o Caderno de Encargos que estabelece as exigências da Fifa para a realização da Copa do Mundo de 2014.

Essa aproximação deverá favorecer o dirigente rubro-negro para que a Arena da Baixada possa ser uma das sedes da Copa de 2014. Com essa reivindicação na bagagem, Petraglia, vai ao Rio de Janeiro na próxima semana, para uma reunião com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

Em entrevista coletiva após o empate do Furacão em 1 a 1 com o Paranavaí, no último domingo, Petraglia revelou que já agendou o encontro entre a cúpula rubro-negra e Teixeira. ?Conversamos com ele e marcamos uma ida ao Rio, depois da Páscoa. O Fleury (João Augusto, presidente do conselho gestor) e eu iremos saber as reais razões de por que Ricardo Teixeira passou pelo Paraná e não parou.

Foi a Santa Catarina e ao Rio Grande do Sul?, afirmou.

Petraglia quer ouvir de Teixeira o motivo que fez ele ?pular? o Paraná em sua visita ao Sul. Fontes ligadas ao presidente da CBF revelaram que o Estado estaria sendo preterido por causa de diferenças entre a CBF e Onaireves Moura, presidente da Federação Paranaense de Futebol.

Apesar de ser um severo crítico de Moura, o dirigente do Atlético não acredita na versão que diz que a permanência dele na FPF pode tirar definitivamente o Mundial do Paraná. ?Não temos conhecimento dessas informações. Me parece contraditório, porque os locais que servirão como sedes da Copa serão decididos este ano. As eleições da nossa federação se darão apenas em 2008?, disse o dirigente atleticano.

Argumentos para trazer a Copa para a Baixada não faltam a Petraglia. Afinal, a Kyocera Arena é, de longe, o estádio brasileiro que mais se aproxima das exigências do caderno de encargos da Fifa. E, por isso mesmo, o que precisa de menos investimento para ficar totalmente adequado às normas da entidade internacional.

Diante desses fatos, o cartola rubro-negro considera absurda a idéia proposta por Moura, de investir na construção de um novo estádio onde hoje fica o Pinheirão.

?Só pode ser brincadeira?, reitera o dirigente do Atlético.

Miranda mina o Atlético

Irapitan Costa

Sem ?papas na língua?, o presidente José Carlos de Miranda expôs a sua indignação – e a do Paraná Clube – diante da possibilidade de recursos públicos serem aplicados na ampliação do Estádio Joaquim Américo, visando a realização de jogos da Copa do Mundo de 2014, na cidade de Curitiba. A declaração foi feita na noite de domingo. Miranda é frontalmente contra privilégios a um clube e lembrou do sacrifício dos tricolores para a reformulação do Estádio Durival Britto, no ano passado.

?Sou favorável à realização de jogos do Mundial em Curitiba. Só que o governo do Estado e a Federação Paranaense de Futebol – FPF – não podem ficar limitados a auxiliar um clube na construção de seu estádio?, confirmou José Carlos de Miranda, ainda em Cascavel, onde chefia a delegação tricolor em sua ?excursão? pelo interior do Estado. ?A solução mais viável seria a entrega da área do Pinheirão ao governo do Estado ou a uma grande empresa para a construção de um novo estádio. Só assim vejo a possibilidade de Curitiba sediar jogos da Copa de 2014?. A declaração do cartola paranista já havia sido manifestada na edição da última sexta-feira da Tribuna. No dia anterior, Miranda esteve com o presidente da Federação, Onaireves Moura, para tratar de assuntos ligados às datas dos jogos do Paraná.

Miranda lembrou que a Fifa exige, atualmente, estádios em áreas amplas, com estacionamento com capacidade para 15 mil veículos. Sobre o tema, lembrou que um projeto já tramita na Prefeitura Municipal de Curitiba para a construção de um estacionamento público – com quatro pavimentos subterrâneos – na praça Afonso Botelho (a praça do Atlético). ?Seria um estacionamento público, mas que atenderia aos interesses apenas do Atlético. Não há, naquela área, nada que comporte um investimento desse porte, à exceção do estádio?, protestou o dirigente paranista.

Na sua visão, o governo estadual deveria tomar à frente na construção de um estádio não apenas para o futebol. ?Seria mais um elefante branco. O correto seria uma praça esportiva de múltiplo uso, que atendesse ao caderno de exigências da Fifa?, disse. José Carlos de Miranda não teme essa tomada de posição possa colocá-lo em ?rota de colisão? com o Atlético e Mário Celso Petraglia. ?Não condeno o trabalho de bastidores que eles estão fazendo. O Petraglia está defendendo o seu clube. Também poderíamos reivindicar algo para a área da Vila Capanema, que possui um ótimo espaço. Mas, não acho o melhor caminho?, analisou. Miranda também é adepto da corrente nacional, que indica para a construção de novos estádios, já totalmente adequados às necessidades de uma Copa do Mundo.

Amadores, motivo pra falar de 2014

Clewerson Bregenski

Na tarde de ontem foi realizada uma reunião na Secretaria de Educação da qual participaram o secretário Maurício Requião,  Ricardo Gomyde, e o presidente da FPF , Onaireves Moura.

O assunto principal do encontro não foi a questão que envolve o Paraná e o Caderno de Encargos da Fifa, segundo explicou Gomyde. ?Tratamos preferencialmente do futebol amador, que tem investimento do Estado?, disse. Mas Gomyde deixou escapar que Moura reinterou a idéia da construção de um novo estádio para abrigar futuros jogos da Copa do Mundo. A preferência dele recai na idéia da nova praça esportiva ser um estádio neutro, que não proporcionaria investimentos em clubes, e que seria mais fácil de adequar as exigências da Fifa.

A mesma idéia é compartilhada pelo presidente do Paraná , José Carlos de Miranda. Para ele se o dinheiro for público, é contra o investimento em apenas um clube, no caso o Atlético. ?Problemas internos de clube, como a construção de estádio, não podem ser resolvidos com a Copa?, disse.

Projeto

Na página eletrônica da FPF consta uma nota que trata do recebimento do Caderno de Encargos pelo governo do Estado. Segundo Moura, a medida fará com que  o governo possa desenvolver um projeto – infra-estrutura e condições de logística – para que o Paraná seja uma das sedes do Mundial. ?Com o projeto concretizado, nós vamos intermediar a vinda do presidente Ricardo Teixeira ao Paraná, para receber das mãos do governador o projeto e a manifestação da intenção de que a Copa seja sediada no Paraná? (sic), disse Moura.