Um dia diferente para o elenco do Paraná Clube. Comandados pelo técnico Milton Mendes, os jogadores trocaram a tarde de treinamento ontem por uma visita ao Hospital Pequeno Príncipe, que atende crianças (recém-nascidas) até adolescentes com 18 anos.

O elenco paranista ficou cerca de duas horas no local. Assim que chegaram, foram recepcionados por José Álvaro da Silva Carneiro, diretor corporativo do Complexo, que fez uma pequena palestra para os atletas, contando a história do hospital, inaugurado em 1930. ‘Toda vez que atletas vêm aqui, tem uma criança que torce por esse time, seja do Coxa, do Atlético e agora com o Paraná, que ainda não tinha vindo’, descreveu José Álvaro, contente com a visita.

Depois da conversa, os jogadores foram divididos em grupos para as visitas nos quartos e nas UTIs. O capitão Lúcio Flávio, juntamente com Luisinho, Paulo Roberto e Rodrigo Mann, foram acompanhados por José Alvaro, que passava informações do hospital e de alguns pacientes que receberiam a visita.

Na primeira aparição dos quatro para uma paciente, a felicidade era evidente. Os jogadores, principalmente o capitão paranista, deram todo o apoio, com palavras de incentivo. Na sequência, a visita para um torcedor do clube, com direito a brincadeiras entre os boleiros e a criança. Tímido, o garoto pouco falou. Porém, ganhou uma caneca do Tricolor e se abriu. Houve até cobrança dos atletas, e a criança fez uma promessa: comer para se recuperar o mais rápido possível.

Entre a saída do quarto e a ida para as UTIs, do local aproveitaram a para registrar o momento, seja em fotos ou autógrafos. Do quarteto, Lúcio Flávio era o mais cobiçado.

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Elenco paranista autografa camisa do clube. Um dos presentes para o hospital e pacientes.

Bastou entrar nas novas UTIs do hospital para ver outra realidade. Um jovem, que não passa por um bom momento, foi recebido pelos atletas. Acanhado, o garoto só ouvia palavras de incentivo, e fazia sinal de positivo. A sensação de vê-lo naquelas condições parece ter mexido com as duas partes. O coração do garoto bateu mais forte, e levou Luisinho e Paulo Roberto à preocupação, quando viram os batimentos aumentarem enquanto conversavam com o jovem.

A emoção ao entrar nas UTIs é ainda maior quando os olhares passam pelas camas e lá estão crianças – muitas recém-nascidas – entubadas, em situação complicada, com auxílio de médicos e enfermeiros, com todos os cuidados necessários, sem poder fazer nada para sair de uma situação que, muitas vezes, é para salvar a própria vida. ‘Acho que o objetivo disso tudo é mostrar para todos nós que existe outra realidade. Nós lutamos para ganhar um jogo, e esses jovens lutam para comer, para andar, para viver’, destacou o técnico Milton Mendes, que foi quem teve a ideia de reunir os jogadores e realizar uma ação social.

No momento em que José Álvaro anunciou que mostraria ao grupo as velhas UTIs do hospital, Luisinho fez cara de preocupação. Porém, logo na entrada, um garoto sorridente. Torcedor do Flamengo, ele conversou com os jogadores e ficou com um registro fotográfico no celular. Enquanto isso, uma enfermeira apareceu para chamá-los, pois um jovem estava ansioso para vê-los.

Quando os atletas chegaram até o garoto, o semblante de felicidade e emoção estava estampado no rosto do menino, de poder ter um contato, mesmo que por um período curto, com jogadores de futebol. E para eles, a felicidade de fazer um garoto sorrir, de mudar um pouco a rotina dentro do hospital. O sentimento foi ainda maior quando os quatro convidaram o jovem, de Almirante Taman,daré, para irem a um jogo do Paraná.

Para Lúcio Flávio, a força do esporte é de suma importância para realizar esse tipo de ação. ‘O esporte tem esse poder. Ele é enriquecedor por causa desses fatores. É difícil muitas vezes conseguir ter essa oportunidade, mas quando se tem, nada melhor do que vir. É bom para qualquer ser humano participar de qualquer situação como essa’, salientou.

A outra realidade destacada por Milton Mendes foi reforçada por Giancarlo. ‘Você vem aqui e vê que os problemas que você tem no dia a dia são pequenos perto do que as crianças têm aqui. Sabemos que não é só dentro de campo que temos que fazer a nossa parte, mas também aqui fora’, afirmou o atacante.

Ao término da visita, sensação de que o dia foi diferente e especial para todas as partes. Os jogadores puderam ver uma realidade difícil, na luta pela vida, e as crianças puderam receber o apoio de atletas, que mudaram, pelo menos por um dia, a vida daqueles que lutam sempre pela sobrevivência.