O Londrina ainda tenta absorver o doloroso rebaixamento para a terceira divisão, confirmado na semana passada. Após lutar até pela liderança da competição no primeiro turno da Série B do Campeonato Brasileiro, o Tubarão teve uma queda vertiginosa que mesmo sucessivas mudanças de técnico e intervenções no elenco conseguiram reverter. Internamente, ao mesmo tempo em que se avaliam os erros da temporada, quem comanda o clube pensa no que vai acontecer a partir de agora.

O gestor Sérgio Malucelli tem contrato para administrar o LEC até o final do ano que vem. Mas, em entrevista coletiva, admitiu a possibilidade de encerrar essa vínculo já. “Eu estou desanimado. A minha primeira ideia é deixar o Londrina seguir com as próprias pernas”, comentou o cartola. Conhecido por seu temperamento forte, Malucelli foi mais protagonista do que nunca neste 2019.

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Parecia que este ano seria o do sonhado acesso. Tudo andava bem, apesar da traumática saída de Roberto Fonseca, que retornou do Novorizontino e treinou a equipe em apenas uma partida. Alemão, que comandou o Tubarão no Campeonato Paranaense, voltou ao cargo e com ele o time seguiu em alta na Série B. Por doze rodadas o Londrina esteve no G4, e tudo levava a crer que a disputa seria na parte de cima.

Mas uma onda de problemas atingiu o clube em cheio. Alemão teve problemas cardíacos e ficou um tempo afastado. Depois, questões disciplinares levaram Anderson Leite a ser descartado – mas, logo depois, houve a revisão do caso. Dagoberto decidiu encerrar a carreira de forma abrupta, depois do LEC ter montado um esquema especial para ele. Jogadores importantes foram negociados, como Anderson Oliveira e Luquinha.

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O impacto em campo foi enorme. Da 14ª até a 37ª rodada da Segundona, o Londrina teve apenas três vitórias. Na primeira série negativa, Alemão foi demitido. A solução da diretoria parecia perfeita: a volta de Cláudio Tencati. Mas o técnico que comandou a equipe nos melhores momentos de sua história recente teve uma passagem trágica, conquistando apenas uma vitória em oito partidas. Também caiu, e veio Mazola Júnior em seu lugar.

Nem Cláudio Tencati deu jeito na crise do Tubarão. Foto: Gustavo Oliveira/LEC
Nem Cláudio Tencati deu jeito na crise do Tubarão. Foto: Gustavo Oliveira/LEC

Enquanto o time perdia e os técnicos se sucediam, o Tubarão também vivia uma roda-viva de contratações e dispensas. Até a derrota para o Operário em pleno estádio do Café. Depois da partida, Sérgio Malucelli foi a público e deixou o clima ainda mais conturbado. “Me sinto envergonhado. Perder para os reservas do Operário? O time merece cair mesmo. Eu não culpo os jogadores, culpo eu mesmo por contratar essas porcarias”, atirou.

Dali em diante, nada mais adiantou – nem mesmo mais uma troca de treinador, com Mazola saindo e Silvinho entrando. A queda foi melancólica: primeiro veio a derrota por 4×1 aplicada pelo até então lanterna São Bento. No dia seguinte, o empate do Figueirense com o CRB decretou o rebaixamento. “Minha vontade hoje é sair até agora, se eu pudesse”, admitiu Sérgio Malucelli.

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No entanto, a tendência é que o contrato de gestão seja cumprido. É esse o interesse dos dirigentes do Londrina, que mantém contato permanente com a SM Sports. De qualquer forma, a saída vai se encaminhando, tanto que Malucelli já acertou uma parceria com outro empresário, o ex-jogador Marcelo Lipatin, para que ambos comandem o futebol do Internacional de Campo Largo, que vai se profissionalizar e disputar a terceira divisão do futebol paranaense em 2020.

Para o início do ano que vem, o LEC será bem diferente. Sete jogadores, incluindo o zagueiro Dirceu e o meia Higor Leite, já foram dispensados e nem participarão do último jogo da temporada, neste sábado (30), contra o Botafogo-SP. Germano e Sílvio, que estiveram em todo o período de reconstrução do clube, também estão fora. Paulinho Moccelin e Safira (que ainda está no CSA) deverão ser emprestados. Silvinho seguirá como treinador e vai trabalhar com elenco basicamente formado por jovens. O diretor de futebol Ocimar Bolicenho está também deixando o Tubarão.

Tapetão

A última cartada do Londrina está no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O clube estuda pedir punição ao Figueirense por conta do W.O. da partida contra o Cuiabá – quando, em protesto pela falta de pagamentos, os jogadores do time catarinense se recusaram a entrar em campo. Mas o gestor do clube sabe que, além da dificuldade do caso, ainda é preciso ter uma condição em campo para ir ao tapetão. “Não adianta ser o 17º. Você tem que ficar a três pontos de diferença. São os pontos que acho que o Figueirense deveria perder, como perdeu e recuperou. Para isso acontecer, o Figueirense não pode ganhar o jogo do Operário”, resumiu Sérgio Malucelli.