Morreu nesta quarta-feira (27), aos 77 anos, o jornalista e político Aírton Ravaglio Cordeiro. Um dos nomes mais emblemáticos da comunicação paranaense, Aírton teve uma carreira de mais de 50 anos entre rádio, jornal e televisão, e também foi vereador, deputado estadual, deputado federal constituinte e candidato a prefeito de Curitiba. A causa da morte não foi divulgada.

Ele trabalhou nas rádios Curitibana, Colombo, Clube, Independência, Universo e Transamérica, nos canais 4 (hoje Rede Massa), 6 (hoje CNT) e 12 (hoje RPC) e nos jornais Diário do Paraná, Diário da Tarde e Gazeta do Povo.

Aírton Cordeiro era advogado de formação, mas escolheu o rádio para se destacar. Como narrador, era o principal nome da imprensa local nos anos 1960, transmitindo as partidas mais importantes da época pela rádio Clube Paranaense, dentro e fora do Brasil. Como chefe de equipe, deu espaço a dezenas de profissionais que também fizeram história, como Carneiro Neto, Luiz Augusto Xavier, J. Pedro, Edson Militão, Borba Filho e Augusto Mafuz, entre outros.

Para alguns jornalistas que viveram aquela época, não há dúvida em apontar que Aírton foi o maior nome da crônica esportiva. Pelo estilo inovador de narrar, pela consolidação da profissão de jornalista esportivo, pela capacidade de promoção e por ser o primeiro a consagrar a fórmula de gestão de equipes esportivas de rádio – a ponto de ter seu ‘passe comprado’ pela Clube no início dos anos 1970. E pela audiência que teve no auge da carreira.

Tal popularidade o levou a ser candidato a vereador em 1976 pela Arena. Foi eleito e iniciou uma trajetória política que se seguiu com dois mandatos na Assembleia Legislativa e a eleição para deputado federal em 1986. Participou da Assembleia Nacional Constituinte e foi autor de leis importantes: a lei que assegurou o sigilo da fonte no exercício profissional, a que proibiu o uso de dinheiro público para a promoção pessoal dos governantes nos meios de comunicação e a que isentava os brasileiros com mais de 65 anos do pagamento do imposto de renda.

Aírton chegou a ser candidato à prefeito de Curitiba em 1988, mas renunciou a 12 dias da eleição em nome de Jaime Lerner. Após não ser eleito para a Câmara dos Deputados em 1990, deixou a política, e em 2001 retornou ao jornalismo esportivo como comentarista da rádio Transamérica e colunista da Gazeta do Povo – foi quando teve o reconhecimento das novas gerações.

No final da vida, teve situações profissionais traumáticas, e sofreu um duro golpe com a morte da esposa, dona Nina, em 2015. Convivia com problemas cardíacos há alguns anos, e no domingo (17) sofreu um infarto. Estava internado desde então e nesta quarta-feira acabou falecendo. Aírton Cordeiro deixou três filhos: Andrea, Adriana e Airton Filho. O velório será nesta quinta-feira (28), a partir das 11h, na sala Jade da Capela Vaticano. A homenagem final será às 17h.