Foto: Orlando Kissner/Tribuna
Muçamba é um dos líderes
nas reuniões do elenco.

Em épocas conturbadas, os mais experientes tomam as rédeas para controlar a situação. Não só no futebol, como em qualquer atividade profissional. No Paraná Clube, o panorama não é diferente. Jogadores mais rodados, como o goleiro Flávio, os zagueiros Emerson e Neguete, e os volantes Rafael Muçamba e Beto puxam a responsabilidade e orientam os mais jovens para que o time não sucumba à campanha irregular.

As reuniões entre os atletas, antes dos jogos, normalmente acontecem no quarto de Muçamba. Trata-se de autêntica lavagem de roupa suja – todos expõem o que consideram ruim e produtivo dentro e fora de campo. ?Isso independente de quem está jogando ou não?, conta Muçamba, que embora não seja exatamente um veterano -completa 25 anos em abril -, transformou-se num dos líderes da equipe pela personalidade e fácil expressão.

A ?terapia de grupo? tricolor segue depois dos jogos – a ponto de produzir uma discussão ríspida envolvendo Flávio, Beto e outros jogadores após o empate com o Londrina, logo contornada – e durante os treinos da semana. Nos dias que antecedem o duelo com o Coritiba, o tema prioritário é a importância de vencer o clássico e fazê-lo um divisor de águas para a reação paranista. ?Vamos dormir, acordar e treinar com o Coritiba na cabeça?, diz Muçamba.

Além da necessidade evidente – se não ganhar, o Tricolor correrá sério risco de ser novamente eliminado na 1.ª fase do estadual -, o bloco experiente considera o triunfo no clássico um impulso fundamental para o time deslanchar. Sem contar que seria a primeira vitória paranista diante de um dos maiores rivais, em jogo do estadual, desde 2002. ?Nossa idéia fixa é o título, mas precisamos ultrapassar cada degrau.

A classificação passa pela vitória no clássico?, falou o goleiro Flávio. ?O bom resultado nestes jogos dá uma alavancada boa, para o time e a torcida. Como no clássico do Brasileiro (3 x 2 sobre o Coxa, no Pinheirão), que ganhamos na raça?, lembrou Muçamba. Se o Paraná não chegou a embalar após aquela vitória, o rival iniciou uma seqüência de oito derrotas seguidas e acabou rebaixado para a Série B – sinal de que o confronto com rivalidade tem efeitos positivos e negativos.

Jeff faz tratamento contra cãibras

Uma deficiência muscular pode frear a ascensão do atacante Jeff no Paraná Clube. O júnior, que virou titular até o jogo contra o União, vai passar por um programa especial de alimentação e treinamento para que não sinta mais cãibras ao final das partidas.

Nas quatro vezes em que começou jogando pelo Estadual, Jeff teve que ser substituído no segundo tempo – e sempre pelo mesmo motivo. Segundo o preparador físico Marcos Walezak, o jogador sofre um deseqüilíbrio muscular que provoca as cãibras. ?Hoje ele não suporta mais do que 65 ou 70 minutos?, diz Walezak.

As razões para o problema são várias, segundo o preparador – o crescimento rápido de Jeff, que completou 18 anos em janeiro, o fato de não ter tirado férias (ele disputou a Copa São Paulo de juniores e foi imediatamente lançado no time profissional) e até um componente psicológico. ?Nos juniores, às vezes ele agüentava até o final, mas sempre saía mais cedo em jogos mais fortes?, conta.

O preparador, conhecido no clube como Marquinhos, disse que a deficiência tirou Jeff do time contra o União. ?Conversamos e o Barbieri resolveu deixá-lo no banco. Não há opção: ou ele começa e joga até onde suportar, ou entra no segundo tempo?, disse o preparador.

O programa de recuperação tem cinco itens: aumento da massa muscular, ingestão de carboidratos, hidratação, treinos intensivos para aumentar a resistência ao lactato (substância que provoca a dor) e trabalho psicológico. Segundo Marquinhos, em três a quatro meses o jogador deve estar apto a atuar por 90 minutos.