Tem alguma coisa enterrada no Couto Pereira. Essa foi uma das declarações de Tcheco, técnico do Coritiba, após mais uma derrota na Série B do Campeonato Brasileiro, na sexta-feira (14), para o Londrina. Quando o imponderável passa a ser uma das explicações, é porque o senso de realidade está começando a se afastar. Sozinho, o único a colocar a cara para bater nessa terrível fase alviverde, o treinador assume uma responsabilidade que não é dele. E isso não acontece pela primeira vez no Alto da Glória.

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A entrevista de Tcheco foi repleta de desabafos, reclamações, lamentações, pedidos de desculpa. É uma constante do técnico do Coritiba – seja quem tenha ocupado essa função neste ano (Sandro Forner, Eduardo Baptista e agora o ex-jogador). É preciso ir a público e falar mais do que deve, mais do que precisa e principalmente mais do que seria razoável. É o treinador que precisa explicar os erros do clube, e acaba sendo criticado por coisas que passam de sua administração.

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O que aconteceu na sexta-feira já havia sido visto com Eduardo Baptista. E Tcheco é também um “suporte” dos dirigentes, que mais uma vez silenciaram diante de uma derrota alviverde. Quando é preciso tomar posição, há que se sair da zona de conforto. Tenho certeza que os homens que comandam o Coxa estão frustrados com a fase do time. Mas estão em cargos que os obrigam a dar satisfação para o torcedor. Mesmo que isso não seja a coisa mais agradável do planeta.

É fácil estar na redoma. Ser submetido a poucos questionamentos, viver sob o filtro de assessores, se manifestar através de cartas ou notas. Mas a vida não é assim. Todos têm o bônus e o ônus de cada ofício, de cada responsabilidade. Ser dirigente do Coritiba é a realização de um sonho para um torcedor, devo imaginar. Mas é preciso encarar a realidade, encarar as críticas, não achar que toda opinião contrária é de um “inimigo”, que quem está fora do dia-a-dia torce contra.

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Principalmente o torcedor precisa de explicações. Para as incontáveis contratações que não deram certo, para as mudanças de planejamento, para as decisões equivocadas. E, tenham certeza os que hoje mandam no Coritiba, isso não é atitude de gente que “torce contra”. E sim é o grito desesperado de torcedores que apenas querem ver um time que seja condizente com a história do clube. Ganhar ou perder é do jogo, por mais que seja sofrido às vezes, mas hoje a torcida alviverde não se vê representada em campo.

Todos sabem que a situação herdada não foi a ideal. E que, sim, é necessário arrumar a casa. Mas o Coritiba é um clube de futebol, e o impacto de não subir para a primeira divisão – o que vai ficando cada vez mais difícil – será devastador para os cofres. Salvar o orçamento de 2018 não pode significar comprometer o futuro. O contrato com o Esporte Interativo, interessante se olharmos pela superfície, pode deixar o Coxa com as mãos abanando ano que vem. E se nesta temporada já foi complicado, pode ser ainda pior daqui pra frente.

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Enquanto isso, Tcheco precisa suportar as cobranças – das arquibancadas, dos jornalistas, as internas, as que ele mesmo certamente se coloca. Foi colocado em uma fogueira, foi atirado às feras. Se está cometendo erros, eles também são fruto de toda a desorganização alviverde. Ele precisa ter apoio. O Coritiba precisa ter apoio. E não é pra cavar e achar alguma mandinga no Couto Pereira.

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