Kevin Costner é Ray Kinsella, um fazendeiro pacato, de vida perfeita. Certo dia, com olhar melancólico sobre a plantação de milho da sua fazenda, ouve uma voz. “Se você construir, ele virá”. Seguindo a voz, uma visão: um campo de baseball em vez de milho.

Ray começa a sonhar que Shoeless Joe, ‘sem sapatos’, ídolo do seu pai, morto há décadas, virá para jogar. E, então, no filme “Campo dos Sonhos”, temos o exemplo de que, às vezes, vale a pena sonhar. Nem que se perca o jogo, depois.

Vou dizer de uma vez e antes deste jogo da Baixada: obrigado a reverter uma diferença de dois gols contra os gaúchos do Grêmio, para ir à final da Copa do Brasil, o Athletico precisa de um milagre. E, não é desses milagres que se confundem com casuísmo, que é coisa de mortais. É de um milagre com digitais divinas.

Ontem, fui ao Bom Jesus e pedi para Santo Antonio. Como a vela não apagou, senti a sua firmeza e saí otimista. É que quando saiu da sua igreja, perto da Sé, em Lisboa, Antonio disse. “Quem não pode fazer grande coisa, faça ao menos o que estiver na medida de suas forças; certamente não ficará sem recompensa”.

Remeto o jogo da Baixada para o campo dos sonhos e dos milagres, porque tecnicamente não há teoria que diminua a atual submissão do Athletico ao Grêmio. Talvez, pela influência da Baixada, na pratica, com superação, o rubro-negro possa alcançar um equilíbrio. Mas, para superar uma diferença de dois gols, não basta ser igual, é preciso ser melhor. Quando um time reúne Bambu, Marcio Azevedo, Wellington, Marcelo Cirino, Léo Citadini, e tem como opções Tomás Andrade e Braian Romero, mais do que jogar, mais do que lutar, mais do que se superar, precisa ser abençoado.

Fantasma

Vejam só como é o futebol. O goleiro Wilson foi embora para o Galo, deixando Alex Muralha sem sombra no gol do Coritiba. No entanto, surgiu o fantasma. É que na primeira falha de Muralha, o que é possível, por ser irregular, a torcida irá lembrar de Wilson. Na segunda, irá reclamar por Wilson. Na terceira, pobre Muralha.