O boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Curitiba do ano passado, com dados de 2015 (o boletim 2017 ainda não foi publicado), aponta o crescimento dos casos de HIV/Aids na capital paranaense, nos últimos cinco anos. De 1984 (quando foi iniciada a contagem) a 2015, foram contabilizados 11.078 casos em homens (70%) e 4.831 em mulheres (30%). Só em 2015, foram 1.199 notificações, ou seja, mais de três casos diagnosticados por dia, ou 23 por semana.

Notificações de HIV são de portadores do vírus, mas que não manifestaram a doença. Já os casos de Aids são de pessoas em que a doença evoluiu.

O boletim epidemiológico revelou que a maior quantidade de contaminações estão entre os homens de 30 aos 39. Mas, de 2010 a 2015, houve um aumento exponencial na faixa dos 20 aos 29 anos. O relatório aponta que o grupo de homens homossexuais é o de maior incidência da doença, com mais da metade dos registros do vírus.

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A principal forma de transmissão ainda é a sexual, respondendo por 69,3% dos casos. Para o sexo feminino, a categoria heterossexual (mulheres que se contaminaram transando com homens) responde por 75,8% dos casos. Entre mulheres que tiveram relações com mulheres, 2% foram contaminadas. De 1985 até 2015, Curitiba já teve 3.565 óbitos decorrentes da Aids.

Preocupante

“Para essa geração jovem, até os 19 anos, Aids é coisa do passado, porque existem um monte de remédios e não aparece a doença. Às vezes nem sabem que a pessoa do seu lado tem o HIV”, observa Francisco dos Santos, coordenador da Divisão de Doenças Sexualmente Transmissíveis, da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa). “E isso é preocupante, pois essa geração do ‘ficar’ tem as duas, três primeiras relações com o preservativo e depois não usam mais. Temos aí meninas de 10 anos já com HIV, sífilis, usuárias de drogas e grávidas”, cita.

Segundo ele, “muitas são meninas românticas, que querem mostrar para o menino que o ama, se doar na relação e acabam transando sem camisinha. Também tem muitos homens com síndrome de super-homem, que acham que ‘não vai acontecer comigo’. Tem o público da terceira idade, que tem a ‘síndrome do dorminhoco’. Com os medicamentos estimuladores de ereção, estão se aventurando no sexo, mas não querem usar preservativo com medo da ‘touquinha’ fazer o negócio ‘dormir’. Não pode, todo mundo tem que se proteger, usar camisinha”.

Transou desprotegido?

A camisinha ainda é a melhor prevenção. Mas para quem adquiriu o HIV (por não ter usado o preservativo ou porque ele arrebentou), ainda há a possibilidade de viver sem o vírus, desde que a pessoa procure ajuda urgentemente. O PEP (Profilaxia Pós Exposição Sexual) é um coquetel de medicamentos igual ao da Aids. Ele deve ser ministrado em até 72 horas depois da relação sexual e deve ser usado por 27 dias, para não deixar que o vírus do HIV encapsule. Assim, o HIV pode ser eliminado do organismo. O PEP só pode ser usado uma vez na vida. Ele está disponível no Centro de Orientação e Aconselhamento (COA), localizado na Rua do Rosário, 126 – 6.º andar, ou no Hospital Oswaldo Cruz (Rua Ubaldino do Amaral, 545 – Alto da Rua XV – Fone: 3281-1000), aos fins de semana, quando o COA está fechado.

Em dezembro, o Ministério da Saúde vai lançar o PREP (Profilaxia Pré-Exposição), que é um coquetel anti HIV, preventivo, para que a pessoa não se contamine na relação, após algumas horas de utilização do coquetel. Mas o Ministério da Saúde só irá fornecê-lo a um grupo muito específico de pessoas.