Foto: Allan Costa Pinto

Oliveira: livre desde março.

Acusado de coagir a ex-mulher a não prestar depoimento contra ele, ameaçando cortar a pensão alimentícia, o vereador Joaquim Gonçalves de Oliveira, o ?Oliveira da Ambulância?, 55 anos, voltou para trás das grades. Ele foi preso ontem pela manhã por policiais militares do 17.º Batalhão, que cumpriram o mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça a pedido do Ministério Público.

Ele estava em liberdade desde o início de março, após ser preso no dia 26 de janeiro sob a acusação de torturar seu filho, de 8 anos.

O retorno à cadeia foi contestado pelo defensor do vereador, que acredita que há perseguição política contra o seu cliente. O delegado de Colombo, Hamilton Cordeiro da Paz Júnior, solicitou a remoção do vereador para o Centro de Triagem II, em Piraquara, ainda na manhã de ontem.

Segundo o Ministério Público, o pedido de prisão foi feito porque há indícios que o vereador estaria ameaçando a ex-mulher e o filho para que mudassem suas versões no inquérito policial, isentando Oliveira de qualquer culpa.

Já o advogado Cláudio Dalledone Júnior prometeu, ontem, entrar com habeas corpus para colocar seu cliente em liberdade. ?Para que mudar as versões no inquérito policial, se tanto a mãe como a criança foram ouvidas em juízo e negaram as acusações feitas naquele inquérito? O inquérito policial já acabou, estamos na fase processual. Não tem lógica?, justificou o defensor.

Em seu depoimento em juízo, a mulher alega que foi ela quem colocou a corrente no pé de seu filho para chamar o Conselho Tutelar, já que ele queria fugir. Depois, ela disse que foi induzida, no Conselho Tutelar, a não retirar a corrente do pé do filho e dizer que quem tinha feito aquilo tinha sido seu marido. Ela alegou ainda que é analfabeta e não sabia o que estava assinando.

Defesa

Dalledone informou que o promotor Humberto Eduardo Pucenelli se baseou no depoimento da conselheira tutelar sobre as ameaças.

?Vou pedir acareação. Isso tem cunho político, meu cliente está sendo vítima de perseguição de toda a natureza. Este decreto é bisonho.

Não existe prova testemunhal dando suporte para uma nova prisão. Em breve darei nome, RG a esta perseguição?, prometeu Dalledone.

Coação vai ser investigada

Para o Ministério Público, a mudança do depoimento da ex-mulher e do filho do vereador, em juízo e na comissão disciplinar na Câmara dos Vereadores de Colombo, foram contrariados pela representante do Conselho Tutelar e dois peritos do Instituto Médico Legal. ?Todos confirmaram que houve a agressão e que a mulher e o menino teriam apontado o vereador como autor delas?, divulgou ontem o MP. A promotoria ainda avisou que juntou ao processo uma entrevista da mulher concedida a uma rádio de Curitiba, confirmando os espancamentos sofridos pela criança. A assessoria de imprensa do Ministério Público informou ainda que já solicitou à delegacia, do Alto Maracanã, investigação para apurar crime de coação no curso do processo.