No dia 9 de julho, exame de DNA indicou que o sêmen encontrado na calcinha de Tayná Adriane da Silva, 14 anos, a garota de Colombo encontrada morta num poço no bairro São Dimas, não era compatível com o material genético de nenhum dos quatro acusados, presos pela polícia. O laudo gerou mudança no comando da investigação policial do crime.

O delegado Silvan Rodney Pereira, da delegacia de Alto Maracanã, foi afastado. No dia 14 de julho, o promotor Paulo de Lima afirmou que as provas presentes ao inquérito não sustentavam a denúncia e pediu a soltura dos suspeitos.

Considerado foragido, o delegado Silvan Pereira tomou chá de sumiço e ficou desaparecido por alguns dias. Ele foi preso no interior do Estado no dia 19 de julho. O seu desparecimento suscitou uma série de boatos, inclusive o de que estaria envolvido com o crime.

O Ministério Público retirou acusação contra os quatro suspeitos que foram presos e devolveu o inquérito para a Polícia Civil. Uma investigação por tortura foi aberta pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) contra 21 pessoas, incluindo policiais civis, policiais militares, guardas municipais e um preso de confiança.

Foram pedidos exames de DNA em mais de 80 pessoas, incluindo o delegado Silvan Pereira e o dono do parque. No entanto, nenhum deu resultado positivo. Entretanto, ficaram sem resultados de DNA 12 policias civis da delegacia do Alto Maracanã, acusados de torturar os suspeitos que foram presos.

Os policiais não forneceram material genético alegando que o médico indicado por eles não compareceu ao IML no dia marcado. Seis delegados passaram pelo caso. E nenhum descascou o abacaxi. Um quebra-cabeça que ninguém consegue montar.

O promotor Leonir Batisti, do Gaeco, disse que não há provas suficientes para levar o caso à Justiça. O advogado Luís Gustavo Janiszewski pensa o contrário. Ele acha que o MP devia incriminar os quatro jovens que foram presos e depois soltos.

“Desistir, jamais!”

Esta é a triste história de uma família que vive esperando a resposta para um crime que abateu sobre ela. A mãe de Tayná, que veio de Toledo e mora há vinte anos em Colombo, está com 49 anos.

Cleuza Cadoná da Silva divide o tempo entre os seis filhos sobreviventes – Márcia, Andreia, Jonatan, Tauana, Tainara e Talita – e a memória de Tayná, a filha assassinada. Ela sofre. O marido, Agenor da Silva, 53 anos, que é pedreiro, também sofre.

“Ele chora a todo momento. Ele não se conforma”, diz Cleuza. Ela é cozinheira e já trabalhou no Hospital Nossa Senhora da Luz por dois anos. Atualmente está sem emprego. Para ela o caso só se encerra quando tiver resposta da Justiça. “Eu não quero morrer sem ver este caso solucionado”, sentencia.

“Não é fácil esperar. São tantas coisas mal feitas. Estou cansada. Mas não vou desistir jamais. Eu acho que foram eles. Os rapazes. Eles confessaram. Tortura? Eu não acredito que houve tortura. E se houve eles contaram. Se eu não cometi um crime, eu não ia falar nem com tortura. Eles foram torturados, mas estão vivos. Eles confessaram que tinham matado, tinham pegado ela. Eu queria que eles pagassem. Não vai trazer minha filha de volta, mas vai aliviar a minha dor. Eu sonhei com ela várias vezes. Ela chegou por trás e me abraçou. Eu perguntei: quem te matou, Tayná? Foram aqueles rapazes? Ela chacoalhou a cabeça dizendo que sim”, diz Cleuza.

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