Glodimar foi fuzilado dentro do seu
carro. Amizade teve final trágico.

O sentimento de traição levou Arley Elias Turatti, 26 anos, terminar uma velha amizade de forma trágica. Às 10h de ontem, ele matou Glodimar Rodrigues da Cunha, 33 anos, a quem considerava um velho amigo. O crime aconteceu devido a um possível envolvimento da vítima com a namorada do autor.

De acordo com levantamentos realizados pela Polícia Militar que atendeu a ocorrência e prendeu Arley, os dois rapazes se encontraram na manhã de ontem em uma auto-elétrica no Bairro Alto e saíram para ter uma conversa. Durante o percurso, na esquina das ruas Albino Kamisnki e Sebastião Alves Ferreira, aconteceu o desentendimento entre eles. Arley puxou um revólver Taurus, calibre 38, e acertou um disparo no lado direito do peito de Glodimar, que dirigia o Gol vermelho, placa MAU-1340. Desgovernado, o carro só parou quando subiu na calçada. Imediatamente Arley desceu do carro e saiu correndo deixando a vítima morta no banco do motorista. Policiais do Regimento de Polícia Montada (RPMont), inclusive da P-2 (serviço reservado), se deslocaram para o local e através do informe de testemunhas conseguiram localizar o autor do homicídio escondido dentro de uma casa. De acordo com o soldado Fernando, Arley invadiu a casa de um conhecido dele a uma quadra de distância do local do crime e se escondeu embaixo da cama de um dos quartos. “Quando foi localizado não esboçou nenhuma reação e entregou a arma”, contou o PM. Após a prisão, Arley foi rapidamente retirado pelos policiais e conduzido ao 5.º DP (Bacacheri). A ação foi necessária, pois populares -conhecidos da vítima – queriam linchá-lo. “Pela movimentação aqui, o rapaz (Glodimar) era muito benquisto na região”, comentou o aspirante Friesen.

Passional

No distrito policial, Arley explicou o porquê do assassinato do amigo. Alegou que o tiro foi acidental e que não tinha a intenção de matar ninguém. “Estava armado apenas para pressioná-lo a me dizer a verdade”, disse.

Arley contou que chegou da Inglaterra na última sexta-feira, após passar um ano no exterior. Lá, trabalhava como chefe de cozinha e sua intenção era de juntar dinheiro para voltar ao Brasil e casar com sua namorada, com quem tinha um relacionamento de cinco anos. Mas ao que tudo indica, alguma coisa mudou entre os dois durante esse ano de separação. Perturbado com informações que obteve, Arley resolveu esclarecer a situação e colocar tudo em pratos limpos. Na manhã de ontem, encontrou com Glodimar na auto-elétrica do irmão e saíram para conversar. A conversa virou em discussão e Arley sacou da arma e apontou em direção da vítima. “Eu só queria que ele me contasse a verdade, que eu já sabia. Daí, ele falou apenas que eu deveria tomar uma atitude de homem. Nesse momento, puxei a arma para intimidá-lo”, disse. Na seqüência, ocorreu uma pequena luta dentro do carro e vários tiros foram disparados. Um deles acertou o peito da vítima, ocasionando sua morte. O revólver utilizado pertence ao irmão do homicida e foi pego sem autorização e conhecimento do responsável, conforme explicou Arley. No DP, a arma apreendida possuía quatro cartuchos deflagrados.

Desculpa

A cada instante de sua entrevista, Arley fazia questão de dizer que não tinha a intenção de matar ninguém e que queria apenas esclarecer a situação. Ele confirmou que a vítima teve uma aproximação maior com a sua namorada e que estava muito magoado com isso. Mas não quis entrar em detalhes se aconteceu alguma traição. “Fui à Inglaterra para buscar um futuro melhor para nós” disse Arley, referindo-se à relação que mantinha com a namorada. Ele relatou também que não tinha premeditado o crime.