Foto: Átila Alberti

Passeata silenciosa reuniu 250 pessoas.

Dor e revolta. Estas palavras, estampadas em faixas de protesto, resumem o sentimento de familiares e amigos de Ana Cláudia Caron, para muitos, somente ?Nah?, jovem de apenas 18 anos brutalmente assassinada na noite da última quarta-feira. Reunidos em frente à academia onde a garota treinava, a poucos metros de onde foi raptada por dois marginais, cerca de 250 pessoas se manifestaram contra a violência e a impunidade. O protesto iniciou às 10h de ontem, na Rua Paula Gomes, e terminou próximo do meio-dia, na Boca Maldita.

Lá estavam amigos de longa data, colegas do curso de Educação Física, antigos companheiros de infância, solidários desconhecidos e, claro, familiares da menina. Entre eles, alguém que nos últimos anos, acostumou-se a estar sempre ao lado de Ana, o namorado Madison Ramos Filho, 19 anos. ?Nos conhecemos em 2002, mas perdemos contato. Nos reencontramos anos depois e no próximo dia 29 completaríamos 2 anos e 3 meses de namoro. Sempre que ela podia, estava comigo?, disse. Tanto é assim, que no dia que desapareceu, Ana ia para a academia apenas para ver o companheiro treinar. Indignado com o que fizeram com a namorada, Madison preferiu não acompanhar os noticiários recentes. Com a voz embargada e o rosto trêmulo, revelou o motivo: ?Só quero ter boas lembranças dela?.

Antes de iniciarem a passeata silenciosa até a Boca Maldita, os manifestantes clamaram por justiça e exigiram mais segurança. Um dos idealizadores do protesto, o pai do namorado de Ana, Madison Ramos, explicou que a idéia é chamar a atenção das autoridades e prestar uma homenagem à jovem vítima. ?Estamos mostrando a camisa com o rosto dela para todos?, ressaltou. ?Queremos justiça e segurança. A cidade está abandonada. Ela foi raptada no centro da cidade, no final da tarde, podia ter acontecido com qualquer um?, revoltou-se, antes de concluir: ?A morte dela dói em nosso coração, mas os crimes também estão acontecendo com outras famílias?.

Solidariedade

Um exemplo disso foi a presença na passeata de parentes de Suzana de Abreu Szacowski, 18 anos, assassinada no dia 15 do mês passado, quando voltava de uma festa. Suzana foi estrangulada e agredida com paralelepípedos, na Avenida Brasília, no Novo Mundo. ?Viemos em solidariedade. As duas mortes foram brutais?, frisou Silmara, irmã da vítima. Ela informou que apenas um dos dois suspeitos foi preso até o momento. A impunidade também foi motivo de revolta durante toda a passeata.

Após a caminhada, os manifestantes se reuniram em frente à catedral de Curitiba e, em coro, rezaram o Pai-Nosso, simbolizando o final do protesto. Agora, familiares e amigos da menina esperam por justiça. A sensação deixada na manhã de ontem é de que, apesar da forma brutal com que a vida de Ana foi tirada, assim como o namorado, todos irão lembrar de ?Nah? pela alegria com que ela viveu seus curtos 18 anos.

Investigações

Em meio às manifestações, o trabalho de investigação da polícia continua em busca do paradeiro dos assassinos. Na noite de sexta-feira, foi localizado o Palio da vítima, que havia sido levado pelos assassinos. ?Infelizmente aconteceu aquilo que já imaginávamos e o veículo foi queimado?, lamentou o delegado Rubens Recalcatti, da Delegacia de Furtos e Roubos, que também participa das investigações. O carro foi visto em chamas por volta das 22h30, por uma pessoa que passava pela Rua Elísio Ferreira, entre Santa Felicidade e Almirante Tamandaré. ?Os assassinos devem ter se escondido nessa região. A moça foi encontrada a 3, 4 quilômetros dali?, acredita Recalcatti.