Foto: Ciciro Back

Uma das diferenças é o porte de arma.

A lista divulgada ontem pelo Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região, com o nome das empresas que agem clandestinamente na segurança privada, trouxe à tona a ?guerra? existente no setor. De um lado, sindicatos das empresas de alarmes monitorados afirmam que não precisam de autorização da Polícia Federal para funcionar, uma vez que seus funcionários não trabalham armados.

O segmento ainda briga por uma lei que regulamente o setor. Na outra ponta, estão os sindicatos dos vigilantes, que garantem que apenas empresas autorizadas pela PF podem fazer o trabalho de monitoramento eletrônico.

A relação traz os nomes de 93 empresas que atuam em Curitiba, e muitas delas sentiram-se prejudicadas por serem citadas como clandestinas. O Sindicato dos Vigilantes admite que cometeu três equívocos. A Paranaseg-Grupo Gensy Vigilância e Seg. Patrim. Ltda. e a Intercept -Vigilância e Segurança, têm autorização da Polícia Federal para funcionar. A WHB Fundição foi citada por ter contratado serviços irregulares e não por ser uma empresa do setor. Entretanto, além dessas três, outras alegam que estão devidamente regulamentadas.

Monitoramento

De acordo com Rogério Alberto dos Reis, presidente do Sindicato das Empresas de Sistema Eletrônico de Segurança (Siese-PR) na lista estão empresas que atuam apenas no setor de monitoramento eletrônico. ?Estas nem deveriam ser citadas, pois não fazem vigilância armada e não pertencem aos sindicatos dos vigilantes, portanto, não estão irregulares?, diz Rogério.

Segundo ele, as empresas de monitoramento eletrônico são proibidas de contratar funcionários em postos fixos, cujos vigilantes podem portar armas. ?Elas só trabalham com venda, instalação e monitoramento de alarmes. Isto é, se o alarme de uma casa soa, um monitor vai até o endereço, verifica se o chamado é verdadeiro e aciona a Polícia Militar. Para este serviço somos proibidos ter armas, e, portanto, não precisamos de autorização da PF?, explica Rogério.

O presidente do Siese – PR afirma ainda que as empresas de monitoramento não têm autoridade para prestar serviço de vigilância, como as empresas que possuem vigilantes não podem oferecer serviço de alarmes monitorados.

Vigilância

Já o sindicato responsável pela divulgação da lista, contesta a informação e diz que há empresas que dizem prestar o serviço de monitoramento eletrônico apenas para mascarar o serviço de vigilância. ?Se estão na lista é porque sabemos que elas fazem vigilância armada sem autorização da PF?, afirma Ademir Pincheski, secretário de imprensa do Sindicato dos Vigilantes.

O presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Jeferson Furlan Nazário, diz que empresas de monitoramento eletrônico não têm autonomia para fazer o pronto-atendimento. ?Estas empresas podem vender e instalar alarmes, mas jamais ir até o local atender um chamado. Isso compete aos vigilantes treinados para isso?, diz.

O que ambas as partes concordam, uma vez que é previsto em lei, é que se um vigilante vai até o local de um chamado, ele jamais pode estar armado e deve sempre avisar a polícia.

Notas falam de injustiça

A empresa Intersept – Vigilância e Segurança informou, por meio de nota oficial, que a empresa está devidamente autorizada pela Polícia Federal para atuar no ramo de vigilância. O Grupo Intersept é formado pelas empresas Intersept Comércio e Instalação de Sistemas de Segurança Eletrônica Ltda., pela Intersept Ltda., e pela Intersept Vigilância e Segurança Ltda., todas habilitadas para oferecer serviços de vigilância, monitoramento e terceirização de serviços. De acordo com a nota, todas as empresas do grupo estão devidamente autorizadas e associadas aos sindicatos apropriados.

A empresa Septron Alarmes Monitorados Ltda. também garante que foi injustiçada, uma vez que trabalha apenas com alarmes monitorados. A empresa garante que não presta serviço de vigilância e que está devidamente filiada ao Siese e não ao Sindicado dos Vigilantes. Por fim, a empresa AGF Monitoramento de Alarmes garante que nunca ofereceu, divulgou ou ofereceu serviços de vigilância armada, monitoramento ou segurança, e que também teve seu nome divulgado erroneamente na lista. A GF, segundo a nota enviada, presta serviços de asseio, conservação e portarias.