Cercados de familiares e amigos, os pais de Gilmar Rafael Yared, morto no dia 7 de maio, em acidente de trânsito provocado pelo ex-deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho, realizaram um ato ecumênico na madrugada de sábado para domingo na Igreja do Evangelho Eterno, conhecida como Igreja do Balão, no Alto da XV.

A cerimônia, que reuniu cerca de 300 pessoas, começou às 23h e se estendeu até a 1h da manhã, exatamente o horário em que Gilmar Rafael e seu amigo Carlos Murilo de Almeida morreram. “Tivemos 30 dias muito agitados e impactantes. Nessa hora, a saudade começa a aumentar e conforta estar no meio de amigos e parentes, buscando a presença de Deus. Pedimos também a conscientização dos jovens para não dirigirem se beberem, para evitar outros casos como este”, disse Gilmar Yared.

A mãe de Gilmar Rafael, Cristina, conta que vai intensificar uma campanha para que o julgamento de Carli Filho aconteça antes das próximas eleições. “As pessoas precisam saber de tudo antes de votarem novamente. O que nos alenta neste momento é descobrir que temos tantos amigos. No mais, é uma sensação de vazio, de impotência. Agora, é esperar o que a Justiça vai dizer”, afirmou.

Investigação

O advogado da família Yared, Elias Mattar Assad, pretende conversar hoje com o delegado que está à frente das investigações, Armando Braga de Moraes, da Delegacia de Delitos de Trânsito de Curitiba (Dedetran), para saber porque o ex-deputado ainda não prestou depoimento e pedir um prazo para que isso aconteça. “Não há proibição médica e, se Carli Filho pôde e teve lucidez para falar com um tabelião para ditar sua renúncia do cargo, por que não pode falar com um delegado?”, questiona.

Os dois jovens morreram no último dia 7 de maio, em acidente no bairro Mossunguê, envolvendo o carro em que estavam e o veículo do ex-deputado, que estava embriagado. No entendimento do Ministério Público Estadual (MPE), Carli Filho pode ser denunciado por ter cometido duplo homicídio com dolo eventual.