Quanto mais se fala na necessidade de diminuir as assimetrias econômicas e sociais existentes nos países formadores do Mercosul, poucas têm sido as providências concretas no sentido de melhorar o quadro, a fim de permitir ao bloco um avanço igualitário e bem distribuído.

Uma realidade aflitiva aos demais parceiros do Brasil, é que nos últimos dez anos todos perderam participação nas exportações realizadas para nosso País, que ainda é o maior mercado da região. Em 1997, o Brasil comprava dos países sul-americanos cerca de 19,8%, mas no ano passado esse volume já havia recuado para 15,4% de sua demanda por produtos e commodities originárias do estrangeiro.

O caminho é inverso, contudo, quando o assunto muda para as vendas externas brasileiras aos vizinhos do Mercosul e demais mercados, atingindo em algumas situações a casa dos dois dígitos. É esse desequilíbrio que tem motivado as críticas levantadas pelos vizinhos mais próximos do Brasil, sobretudo no que se refere à prática do protecionismo excessivo.

Para vários economistas que se dedicam a avaliar as questões da economia sul-americana e do Mercosul, em particular, as reclamações não fazem tanto sentido como gostariam os formuladores, tendo em vista que a maioria dos países não desfruta de todas as condições exigidas pela competitividade no mercado internacional. Por exemplo, a partir de 2003, quando o desequilíbrio em favor do Brasil aumentou e cresceu o ritmo de queda relativa das importações dos vizinhos, os pratos da balança estavam relativamente equilibrados: US$ 7,5 bilhões exportados para US$ 7,6 bilhões importados.

Em 2007 esse quadro já se apresentava com uma mudança radical, porquanto as exportações aumentaram quatro vezes (US$ 31,9 bilhões), para apenas uma vez e meia (US$ 18,5 bilhões) a evolução registrada nas compras de produtos do Mercosul e demais países da América do Sul. Portanto, o superávit da balança comercial a favor do Brasil foi de apreciáveis US$ 13,3 bilhões no exercício passado.

Enquanto não houver verdadeira integração econômica e social, o desequilíbrio regional será cada vez mais acentuado.