O principal suspeito de ser o operador do mensalão, Marcos Valério Fernandes de Souza, abriu há pouco seu depoimento à CPI do Mensalão, qualificando-se como "ex-empresário" porque, segundo ele, depois das denúncias de existência do esquema de pagamento a parlamentares suas empresas "praticamente deixaram de existir". Logo na abertura, Valério pediu desculpas ao povo brasileiro e aos parlamentares por não ter revelado até agora detalhes do esquema, especialmente no depoimento que prestou à CPI dos Correios, alegando que "os empréstimos pertenciam a outras pessoas".

"Falarei somente em relação do que vivi, de 2003 a 2005.Somente aquilo que acompanhei, assisti e estava lá, mas que muitas vezes não terei provas. Não vou inventar e nem denunciar. Não esperem isso de mim", declarou. Ao garantir que não conhecia o relator da CPI do Mensalão, deputado Ibrahim Abi-Ackel, Marcos Valério disse ter mantido contato somente com o filho do parlamentar, o advogado Paulo Abi-Ackel, que "trabalhou ativamente para a campanha de Eduardo Azeredo, pela reeleição do governo de Minas, em 1998. "Os depósitos feitos ao doutor Paulo Abi-Ackel foram feitos por Cláudio Mourão (coordenador da campanha de Azeredo) por serviços prestados à campanha", afirmou.