A oposição desistiu hoje de insistir na prorrogação dos trabalhos da CPI dos Correios. Um dos motivos é a falta de apoio para obter as 171 assinaturas necessárias na Câmara para que a Comissão continuasse com as investigações. "Seria precipitado iniciar uma coleta de assinaturas na Câmara correndo o risco de sofrer uma derrota", resumiu o sub-relator de fundos de pensão da CPI, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA).

Além das dificuldades em obter o apoio de deputados para prorrogar os trabalhos da CPI, integrantes da cúpula da Comissão defenderam hoje o término na data prevista, dia 10 de abril, a fim de garantir a aprovação de um relatório substancial. Querem evitar, dessa forma, que a CPI termine em pizza, sem a aprovação de um relatório final. A avaliação geral é que a proximidade das eleições poderá acabar prejudicando a conclusão da CPI dos Correios. "Um eventual prolongamento dos trabalhos da CPI para fazer disputa política pode pôr a perder um trabalho sério que fizemos ao longo dos últimos oito meses", argumentou o sub-relator de Normas de Combate à Corrupção da CPI, deputado Ônyx Lorenzoni (PFL-RS).

Uma reunião prevista para amanhã dos integrantes da cúpula da CPI deverá bater o martelo contra a prorrogação dos trabalhos da Comissão. O relator Osmar Serraglio (PMDB-PR) ainda resiste, no entanto, em terminar a CPI na data prevista. Ele afirmou hoje que investigações feitas pela Comissão ficarão sem ser concluídas. É o caso, segundo o relator, das apurações sobre a movimentação nas contas do publicitário Duda Mendonça e as denúncias de uso de dinheiro público de Furnas e Itaipu para financiar políticos, além do suposto recebimento de mensalão por 55 dos 81 deputados do PMDB.

Contrário à prorrogação da CPI dos Correios, o presidente Delcídio Amaral (PT-MS) repreendeu hoje publicamente Serraglio. "O relator tem de ficar concentrado no relatório. Na vida a gente tem de ter foco. Mas isso não é uma crítica", disse o senador. Ele observou ainda que um eventual prolongamento das investigação não trará fatos novos. "A prorrogação além de cansativa não vai acrescentar dados novos. Até porque as informações mais contundentes nós já temos", afirmou Amaral, ao admitir que a prorrogação da CPI dos Correios atrapalhará a sua campanha para se lançar candidato do PT ao governo de Mato Grosso do Sul.

Pelo calendário da CPI, Osmar Serraglio vai apresentar seu relatório final no dia 21 de março. A idéia é que o texto seja votado na primeira semana de abril. A 14 dias da entrega do relatório, Serraglio começou a analisar ontem os dados sigilosos enviados pelo Fincen – agência de inteligência financeira dos Estados Unidos – sobre as contas de familiares e de sócios do publicitário Duda Mendonça no exterior. Os documentos estão no Conselho Administrativo de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Na sexta-feira o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça deverá encaminhar à CPI relatório preliminar com a análise da quebra de sigilo bancário da conta Dusseldorf, de Duda Mendonça. Foi nessa conta que o publicitário disse ter recebido R$ 10,5 milhões, referentes ao pagamento de parte da campanha do PT em 2002. Em uma análise superficial, integrantes da Comissão já descobriram que Duda mentiu no depoimento à CPI, em agosto do ano passado, e que a Dusseldorf recebeu cerca de US$ 300 mil a mais do que o declarado pelo publicitário.