Apenas um dia depois da ameaça de massacre aos alunos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que fez as aulas serem suspensas nesta quarta-feira (10), professores da instituição levaram um baita susto ao chegar para trabalhar na manhã desta quinta-feira (11). Eles encontraram pelo menos quatro salas do departamento de Geologia e Geomática, do Centro Politécnico, que fica no Jardim das Américas, arrombadas e bagunçadas.

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O diretor do setor de Ciências da Terra, Alzir Felippe Buffara Antunes, contou à Tribuna do Paraná que a cena era lamentável e que fez com que o medo só aumentasse. “Essa ameaça de ataque fez com que os alunos fossem embora e o prédio ficou vazio. Alguém aproveitou isso, porque a segurança já não é das melhores, entraram e reviraram quatro salas”, detalhou.

Segundo o diretor, foram furtados dois notebooks, mas o que mais chamou a atenção foi o vandalismo. “Porque reviraram muita coisa. Parecia que buscavam algo. Triste para um professor chegar cedo para trabalhar e encontrar uma cena dessas”.

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Para Buffara, parecia que invasores estavam procurando por algo. Foto: Colaboração
Para Buffara, parecia que invasores estavam procurando por algo. Foto: Colaboração

Buffara contou ainda que as pessoas que entraram aproveitaram salas onde há certa fragilidade para arrombar. “Algumas costumam ser muito bem trancadas e, nessas, não entraram. Procuraram e escolheram as mais fragilizadas para invadir. Mas livros não levaram, né? Levaram notebook e arrombaram, meteram o pé em portas, por isso que caracterizamos mais como vandalismo”.

Se os invasores procuravam por alguma coisa especifica, o diretor não soube dizer o que era, mas avaliou que não encontraram o que queriam. “Se é que queriam alguma coisa que não só vandalizar e passar ainda mais medo na comunidade. Já estamos muito apreensivos com a situação da ameaça, porque não sabemos até que ponto é verdadeiro ou falso, e isso só piora a situação”, desabafou o diretor.

Conforme Buffara, assim que soube da invasão, a Reitoria da universidade tomou providências. “As pessoas precisam saber que o patrimônio público foi violado, mas também é importante falar que já estamos tomando todas as providências necessárias, tanto sobre a ameaça, quanto sobre a invasão”, comentou o responsável pelo setor de Ciências da Terra, destacando que, embora ainda não se saiba quem foram os responsáveis (por ambas as situações), a Polícia Federal foi acionada e vai apurar.

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Salas consideradas mais fragilizadas foram arrombadas com chutes nas portas. Foto: Colaboração
Salas consideradas mais fragilizadas foram arrombadas com chutes nas portas. Foto: Colaboração

Medo toma conta

Por causa da situação de invasão no departamento de Geologia e Geomática, as aulas foram parcialmente afetadas. Mas conforme o diretor, muito pouca gente foi até a universidade nesta quinta-feira. As pessoas não foram para a aula principalmente pelo medo da ameaça do dia anterior.

Pela manhã, ao passar pelo Centro Politécnico, a reportagem da Tribuna do Paraná encontrou funcionários (tanto terceirizados como da própria UFPR) com olhares temerosos. Poucos alunos circulavam pela universidade, mas entre as pessoas que lá estavam ficou visível o medo de que alguma coisa realmente acontecesse por conta da ameaça de massacre. “A gente nunca sabe se é alguém fazendo uma brincadeira ridícula ou se pode ser visto como verdadeiro, né? Então teve gente que nem veio para a aula e muitos amigos estão com medo de continuar aqui até que algo seja descoberto”, comentou um aluno, que preferiu não se identificar.

Procurada, a UFPR ainda não se manifestou sobre o assunto. Sobre a ameaça de ataque, a universidade acionou o setor de segurança da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), as policias Militar e Federal, além do Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber) da Polícia Civil. A universidade também destacou uma equipe de segurança para ajudar nas investigações.

Campus estava praticamente deserto nesta quinta-feira (11), pois muitos alunos não foram ao local por medo das ameaças. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná
Campus estava praticamente deserto nesta quinta-feira (11), pois muitos alunos não foram ao local por medo das ameaças. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

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