Mais magro, porém ainda combativo, o presidente iraquiano deposto Saddam Hussein foi levado hoje diante do tribunal especial de Bagdá que o julga por atrocidades atribuídas a seu regime e disse que, em caso de condenação, prefere ser executado por um pelotão de fuzilamento a ser levado à forca. Em sua primeira aparição depois de uma greve de fome seguida de internação, Saddam disse ter sido retirado do hospital e levado diante da corte contra sua vontade e qualificou o tribunal como um braço da ocupação americana

"Fui trazido contra minha vontade diretamente do hospital", disse Saddam ao juiz Raouf Abdel-Rahman. "Os americanos insistiram que eu viesse contra minha vontade. Isso não é justo" prosseguiu o ex-ditador

Ao comentar a possibilidade de condenação à morte, Saddam pediu à corte que não o enforque "como um criminoso comum" e disse que prefere morrer fuzilado

Saddam recebeu autorização para falar no início da audiência de hoje. Ele aproveitou para questionar a validade e a imparcialidade do tribunal especial instalado para julgar atrocidades atribuídas a seu regime

Depois da fala de Saddam, Abdel-Rahman lembrou que o julgamento ainda está em andamento e assegurou que a corte não chegou a um veredicto. Posteriormente, o presidente do júri suspendeu a audiência e informou que uma nova sessão está prevista para amanhã. No decorrer do julgamento, iniciado em outubro do ano passado, Saddam chegou a acusar o júri de trabalhar com a sentença de morte decidida de antemão