O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), anunciou há pouco que, na terça-feira (23), os partidos de oposição (PSDB e PFL) darão uma entrevista coletiva para dizer quais as condições em que continuarão a colaborar com o governo. Virgílio criticou a paralisia da administração federal e da Câmara, ressaltando que apenas o Senado trabalha, assim mesmo, com a ajuda da oposição. Em discurso na tribuna, ele enumerou as últimas demissões no Poder Executivo, desde a crise na área militar, que culminou com a saída do ministro da Defesa, José Viegas, até as destituições dos presidentes dos Bancos do Brasil (BB), Cássio Casseb, e Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, e a saída do ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Guido Mantega, para ocupar a presidência do BNDES. "Há uma desordem administrativa." "Quem será o próximo membro do governo a cair? Alguém pode afiançar que Palocci (Antonio Palocci, ministro da Fazenda) fica na Fazenda?", questionou. "Estamos sem saber qual o futuro deste país", continuou, afirmando que quem obstrui o Senado agora é o Executivo, com medidas provisórias (MPs) que, depois de votadas na Câmara, são encaminhadas com urgência ao Senado para evitar o trancamento da pauta. Virgílio não quis antecipar quais as circunstâncias que a oposição anunciará para prosseguir a prestar colaboração com o Palácio do Planalto. Uma delas, no entanto, deve ser a votação da reforma tributária na Câmara. Ainda ontem (17), o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), cobrou empenho do Planalto e prioridade para concluir a votação da proposta na Câmara, depois de almoçar com a bancada do partido no Senado.