Brasília – Na segunda-feira (16) e na terça (17), Isla Margarita, na Venezuela, será sede da primeira Cúpula Energética da Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa). Chefes de estado e de governo e ministros das áreas energética e de relações exteriores debaterão perspectivas de cooperação nas áreas de petróleo, gás, biocombustíveis, eletricidade, energias alternativas. Em foco, a energia como instrumento de integração, redução de assimetrias e desenvolvimento da região.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de reunião com outros chefes de estado e governo sul-americanos na terça-feira. As presenças ainda não estão confirmadas, mas são esperadas lideranças da Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. O encontro será precedido por reuniões ministeriais. Também está previsto encontro preparatório, no próximo domingo, com altos funcionários dos governos sul-americanos.

A integração energética é considerada um dos principais eixos de uma futura unidade sul-americana. Luiz Pinguelli Rosa, professor de planejamento energético da Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), chama atenção para a complementaridade energética entre os diferentes países da região. Como exemplo, cita as iniciativas de cooperação energética entre o Brasil e as nações vizinhas.

"Importamos o gás da Bolívia e temos o uso da hidreletricidade de comum acordo com o Paraguai, na fronteira. A Venezuela é um grande exportador de petróleo. E o Brasil tem o álcool, que é uma tecnologia desenvolvida no país. Acho que há uma complementaridade?, avalia. Ele menciona, ainda, o projeto do Gasoduto do Sul, que ligará Venezuela, Argentina e Brasil e poderá abastecer vários países da América Latina.

Pinguelli Rosa também acredita no potencial brasileiro de exportação de tecnologia hidrelétrica e de produção de biocombustíveis. "Não acredito que o Brasil vá ser o celeiro do álcool do mundo inteiro, mas ele pode ter um elemento que contribua para a integração latino-americana. O Brasil poderia ter uma liderança no âmbito sul-americano nesta direção", avalia.