O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, negou em depoimento na Comissão de Agricultura da Câmara a existência de irregularidades na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo ele, a única ilegalidade foi cometida justamente pelo ex-diretor e acusador Oscar Jucá Neto e fez com que ele fosse “defenestrado” da companhia. Ao final de sua exposição inicial, de pouco mais de 30 minutos, o ministro foi aplaudido pela maioria do plenário da comissão, composto por governistas.

Rossi afirmou que Oscar, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), tentou transformar uma irregularidade administrativa cometida por ele em um problema político. Ele atribuiu as acusações do ex-diretor ao ressentimento por ter sido punido com rigor. “Para nós é motivo de orgulho ser atacado porque agimos dentro da lei”, disse o ministro.

Em entrevista à revista Veja, Oscar Jucá Neto disse que a Conab estaria adiando o repasse de R$ 14,9 milhões a uma empresa de alimentos para barganhar uma comissão de R$ 5 milhões, que seriam acrescentados ao valor da dívida de forma fraudulenta. Ele denunciou, ainda, a venda de um terreno da empresa em uma área nobre de Brasília por R$ 8 milhões, um quarto do valor estimado de mercado, em favor de uma pequena imobiliária, que seria laranja de um influente político do PTB.

Segundo Rossi, no primeiro caso, sequer haveria a possibilidade de aumentar o valor porque o pagamento tem como base uma decisão judicial. Em relação à venda do terreno, ele afirma que houve uma concorrência pública e que o valor pago foi superior à avaliação feita pela Caixa Econômica Federal.

O ministro gastou boa parte da sua exposição para acusar Oscar Jucá Neto de ter feito um pagamento ilegal durante sua curta atuação como diretor financeiro da Conab. Segundo Rossi, o diretor fez um pagamento sem autorização da empresa e do ministério e teria inclusive invadido um sistema para liberar o dinheiro para o pagamento.