O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se livrou do primeiro embate na Casa, mas ainda vai enfrentar outras investigações abertas pelo Conselho de Ética com base em representações do PSOL, do DEM e do PSDB. Uma denúncia é de que ele teria usado o mandato para beneficiar a cervejaria Schincariol em negociação de dívidas com a Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A Schincariol teria contado com a intermediação do senador nessas negociações depois de ter comprado em Alagoas uma fábrica de refrigerantes de seu irmão, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), por R$ 27 milhões. De acordo com reportagem publicada pela revista Veja, que serviu como base para a representação do PSOL, a fábrica estava falida e valeria no máximo R$ 10 milhões.

O Conselho de Ética também abriu processo por quebra de decoro parlamentar com base em acusação de que Renan teria usado laranjas para adquirir duas emissoras de rádio e um jornal em Alagoas, uma operação de R$ 2,5 milhões. Depois da compra dos veículos de comunicação, um filho do presidente do Senado passou a aparecer na composição societária de uma das empresas. O negócio foi confirmado por um ex-aliado do senador, o usineiro e ex-deputado João Lyra, que até mesmo exibiu documentos.

O presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), ainda não escolheu o relator para analisar este caso. Já o relator para o caso da Schincariol é o senador João Pedro (PT-AM).

O PSOL estuda apresentar ainda uma nova denúncia no conselho contra o presidente do Senado. Renan estaria envolvido em um esquema de desvio de dinheiro público, por meio da concessão de créditos a aposentados e pensionistas, com a participação de ministérios controlados pelo PMDB, o INSS e uma instituição financeira. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.