Com o objetivo de preservar um dos maiores financiadores de campanha do País, o grupo JBS, parlamentares da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estão tentando retirar de pauta um requerimento de autoria do deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), que propõe a convocação de Wesley Batista e Joesley Batista, principais acionistas da JBS.

Jordy afirmou à reportagem que não irá retirar de pauta o requerimento e se mostrou confiante na aprovação da convocação dos irmãos que controlam o frigorífico. “Eu ainda tenho esperança de aprovar este requerimento”, disse.

Dos 27 deputados que integram a comissão, 20 receberam doação do JBS para a última campanha eleitoral, inclusive o presidente da CPI, deputado Marcos Rotta (PMDB-AM) e o relator, deputado José Rocha (PR-BA).

O requerimento do deputado afirma que o BNDES investiu mais de R$ 8 bilhões no JBS. Jordy considera que, em contrapartida, a empresa teria aumentado as doações a campanhas políticas.

“Desde que os recursos começaram a ser liberados, em 2005, o JBS já repassou R$ 463,4 milhões a políticos e partidos nas eleições de 2006, 2008, 2010 e 2014”, diz requerimento. Ainda de acordo dados do Tribunal Superior Eleitoral que o deputado incluiu no requerimento, somente em 2014 o JBS doou R$ 366,8 milhões para campanhas políticas.

Apesar de sondado para que retire de pauta o requerimento, Jordy quer colocar o debate na reunião desta quarta-feira, 9. “Todos terão que colocar a digital na mesa para este debate”, afirmou o deputado, que não recebeu doação da empresa.

A CPI foi criada com o objetivo de investigar supostas irregularidades envolvendo o BNDES entre 2003 e 2015, relacionadas a empréstimos suspeitos.