As duas alas antagônicas do PMDB e o PT se reuniram no último domingo, no restaurante Dom Carneiro para acertar os ponteiros da sucessão municipal em Curitiba.

Embora civilizado, o encontro não alterou as posições do grupo que defende a candidatura própria do PMDB e do PT, que continua certo de que irá encabeçar a aliança na disputa pela Prefeitura da capital e ofereceu a vaga de candidato a vice ao PMDB. O PPS também participou da conversa e avisou que vai concorrer com chapa própria, descartando uma composição com PT e PMDB no primeiro turno.

A reunião foi organizada pelo secretário estadual de Desenvolvimento Urbano, Renato Adur, que está se propondo a mediar um diálogo entre o PT e os peemedebistas pró-aliança e pró-candidatura própria. A linha do discurso dos que defendem uma convivência pacífica entre as duas siglas, mas principalmente entre as duas correntes peemedebistas, é que todos têm um adversário comum, no caso, o PSDB e o PFL.

“Todos mantiveram suas posições, mas o importante é que esta conversa vai ajudar a distensionar o clima. Ficou claro que o PMDB não é adversário do PT e vice-versa. Os nossos adversários são o Cassio Taniguchi (PFL), o PSDB e o PDT”, disse o deputado estadual Nereu Moura. Segundo o deputado, o PDT entrou para o rol dos inimigos por conta do processo de aproximação com o PSDB em Curitiba.

Além dos deputados Ângelo Vanhoni, pré-candidato do PT; e dos deputados Rafael Greca e Gustavo Fruet, pré-candidatos do PMDB; estiveram presentes ao encontro o presidente estadual do PMDB, deputado Dobrandino da Silva; o presidente municipal do PT, Roberto Salomão; o presidente estadual do PPS, Rubens Bueno, o diretor-geral da Itaipu, Jorge Samek (PT); e os integrantes da executiva municipal peemedebista, secretários Maurício Requião (Educação) e Luiz Cláudio Romanelli (Habitação); além do secretário especial de Assuntos Estratégicos, Nizan Pereira.

Prós e contras

Rubens Bueno explicou que seu partido precisa se fortalecer em Curitiba e cumprir as cotas determinadas pela cláusula de barreira. Em função disso, não abre mão de lançar candidato próprio no primeiro turno. O deputado federal Gustavo Fruet reafirmou que considera “um equívoco” PT e PMDB se coligarem já no primeiro turno.

Greca ponderou que o quadro atual mostra uma profunda indecisão por parte do eleitorado, que está alheio ao processo: “Até mesmo as pesquisas, neste momento, não são muito significativas. Se nem 20% dos eleitores estão atentos à questão, 20% ou 30% dessa pequena parcela não tem grande significado”.

Para ele, o que se percebe neste momento “é o crescimento da impopularidade do PT, recomendando que o PMDB tenha candidato próprio”. O presidente estadual do PMDB, Dobrandino da Silva, acha o diálogo saudável mas adverte que é muito cedo para definir alianças: “Isso só se fará mais perto das convenções”, disse.

O deputado Ângelo Vanhoni gostou da iniciativa de Adur, que pretende promover outros encontros semelhantes: “Cria-se um espaço de discussões entre os três partidos, permitindo a construção de consenso em torno dos pontos que temos em comum”. Destacou também que “foi a primeira vez em que se reuniu à mesma mesa um grupo com essa representatividade”.

Ala majoritária do PT terá mais delegados

A chapa do pré-candidato a prefeito, deputado estadual Ângelo Vanhoni, elegeu 53% dos delegados com direito a voto no encontro municipal do Partido dos Trabalhadores, marcado para o próximo dia 23, que irá decidir sobre as alianças partidárias em Curitiba.

Na eleição realizada domingo nas oito zonais do partido, o grupo de Vanhoni venceu a eleição em cinco zonais, indicando 168 dos 317 delegados. O resultado sinaliza para a aprovação de uma política ampla de alianças, que, além do PMDB, inclui o PTB, entre outras siglas consideradas de centro.

Acordos

Esses acordos são combatidos pela ala mais à esquerda do partido, que fez 28% dos votos e ganhou a eleição em três zonais. Foram 26% ou 84 delegados eleitos pela chapa liderada pelos grupos do deputado federal Florisvaldo “Rosinha” Fier e do deputado estadual Tadeu Veneri, e ainda pelos vereadores Paulinho Lamarca e Adenival Gomes, e mais seis que serão indicados pela corrente Trabalho, que ficou com 2% do total dos votos. A chapa reprova coligações com o PTB, PP e outros considerados de direita.

Uma outra chapa, organizada pelos vereadores Roseli Isidoro e André Passos, conquistou 19% dos votos, elegendo 59 delegados. O grupo ainda não manifestou publicamente sua posição sobre a política de alianças do partido, mas tende a se juntar à corrente majoritária, no encontro municipal. No dia 24, o PT deve fechar a chapa de candidatos a vereador. Informalmente, o partido já decidiu fazer uma coligação proporcional com o PMDB.