Foto: Lucimar do Carmo/O Estado

Embora aliados no segundo turno, Requião e Lula não se encontraram uma única vez na campanha.

Aliados no segundo turno das eleições, mesmo sem ter se encontrado uma única vez durante a campanha, o governador Roberto Requião (PMDB) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltam a conversar hoje, segundo confirmou o secretário da Casa Civil, Rafael Iatauro. Requião será recebido em audiência por Lula, em Brasília, a convite do presidente, que está checando com quantos governadores aliados poderá contar no seu próximo mandato.

Requião, que estava descansando na Bahia, viajou diretamente a Brasília, onde será recebido por Lula. Sua volta está prevista para o meio da tarde, quando deve reassumir também o governo, que desde o dia 8 de setembro vem sendo conduzido pelo presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB).

Crítico sistemático da política econômica do governo, durante três dos quatro anos de governo de Lula, Requião teve o apoio do PT no segundo turno da campanha eleitoral e já disse que pretende ter a participação do partido de Lula na sua próxima gestão.

Lula e Requião têm contas a ajustar. Se Lula não assimilou os ataques do governador paranaense à sua política econômica, Requião também não esqueceu as dificuldades que teve junto ao governo petista para equacionar as pendências da privatização do Banestado, que ainda comprometem uma boa fatia da receita do estado. Durante a campanha eleitoral, essas questões foram deixadas de lado, mas agora retornam para fundamentar as bases da relação a partir do próximo ano.

Reflexão

No Paraná, os petistas já começaram a discutir como será a convivência com o novo governo de Requião. Ao contrário de 2003, os dirigentes petistas dizem que não aceitam que o governador faça convites individuais a seus integrantes para compor o secretariado – Padre Roque Zimermmann e Daniel Godoy foram para o governo sem maiores discussões com a direção do partido. Foram denominados como a quota pessoal do governador.

Reunidos anteontem em Curitiba, os deputados federais, estaduais, reeleitos e novos, o presidente estadual, André Vargas, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o diretor-geral da Usina de Itaipu, Jorge Samek, a diretora financeira da usina, Gleisi Hoffmann, e o senador Flávio Arns tiveram uma conversa sobre os governos estadual e federal.

Vargas disse que o PT não está pedindo participação no governo de Requião, mas que se houver o convite oficial ao partido, será analisado. Segundo Vargas, a decisão sobre integrar ou não o governo estadual depende da relação que Requião terá com o governo federal. ?A primeira discussão é se Requião será aliado nas articulações do presidente Lula?, afirmou.

O deputado Ângelo Vanhoni comentou que há um indicativo na bancada estadual de apoio ao governo. Mas essa posição ainda não é oficial. ?O que nós conversamos é que se tiver um convite para integrar o governo, não teremos nenhum obstáculo à participação de ninguém. Desde que essa participação seja discutida no interior do partido. É melhor para o governo e para o PT?, afirmou.