Foto: Aliocha Maurício/O Estado

Nardes: regra nacional.

As estradas federais no Paraná estão entre as piores do Brasil, ficando atrás apenas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. A afirmação é do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, que ontem percorreu 600 quilômetros pelas BR-476 e BR-116. Segundo Nardes, falta planejamento e fiscalização por parte do Departamento Nacional de Infra-Estrutura Terrestre (DNIT). Dos 12 trechos a serem fiscalizados no Paraná, sete foram percorridos por analistas do TCU, que constataram a principal irregularidade: nenhum deles apresenta contrato.

O ministro percorreu o trecho que vai de Curitiba a União da Vitória, passando por Lapa e São Mateus, e voltando pela BR-116. Ontem, ele afirmou que encontrou muitas irregularidades. "Encontrei o trecho de São Mateus a Lapa, cujo material utilizado foi colocado de maneira precária. A medição dos trechos (a serem recuperados) também não foi feita; não encontramos fiscalização; os sete trechos não apresentaram contratos; no caso da Ponte dos Arcos (União da Vitória) houve um sobrepreço; outra irregularidade seriam os serviços incluídos em projetos emergenciais que não têm esse caráter", aponta Nardes.

Como lembra o ministro, em outubro de 2005, o TCU determinou que a União fizesse a recuperação de 15 mil quilômetros de estradas que estariam sob cuidado dos estados. As operações tapa-buracos, no entanto, foram iniciadas somente em janeiro deste ano. "Já recebemos 104 relatórios que apontam irregularidades na operação em todo o País. No Paraná, foram seis. Constatou-se, principalmente, que apesar da disposição da União em recuperar as estradas, não houve planejamento. Alguns analistas pedem a paralisação das obras, mas vou analisar caso a caso. O DNIT tem prazo de cinco dias para apresentar sua defesa", informou Nardes.

Hoje pela manhã, o ministro continua a visita, na ponte do rio Capivari. Ele afirma que, antes de qualquer decisão, haverá outra visita ao Estado. "De todas essas irregularidades o governo federal já está alertado há mais de 45 dias. Sendo relator, com base nos relatórios enviados, terei como formar um juízo melhor por conhecer a realidade do Paraná e dos outros estados", garante o ministro Nardes.