Daqui a cerca de seis meses, os paranaenses renovarão duas das três cadeiras do estado no Senado − serão eleitos novos ocupantes para as vagas de Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB). E o fim do período legal para filiação partidária e mudança de legenda, no início de abril, pôs fim a algumas indefinições. Beto Richa (PSDB) renunciou ao mandato de governador para disputar uma cadeira de senador; e o procurador Deltan Dallagnol preferiu permanecer à frente da Operação Lava Jato no lugar de se aventurar na política.

Por outro lado, o sistema eleitoral do Brasil joga algum grau de indefinição no pleito. Neste ano, a tendência é que os eleitores se concentrem nos dois cargos ao Executivo que estarão em disputa, à Presidência da República e ao governo estadual (veja quem são os pré-candidatos ao governo do Paraná), e de certa forma ignorem a escolha ao Senado. Na verdade, as escolhas. Ter de votar duas vezes para senador mais confunde que esclarece a cabeça da população, sobretudo em meio a seis votos de uma vez: presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual.

Pré-candidatos ao Senado em 2018

Foto: Marcelo Andrade
Foto: Marcelo Andrade

Beto Richa (PSDB) – ex-governador

Após manter suspense por meses se renunciaria ao mandato de governador para disputar o Senado, Richa optou por não interromper a própria trajetória política abruptamente depois de 23 anos. Também pesou na decisão de ser candidato fortalecer o projeto nacional do PSDB e permitir que o filho e o irmão concorram a deputado estadual e federal, respectivamente. Além do recall de nome mais importante da política estadual nos últimos sete anos e da “facilidade” de haver duas cadeiras em jogo, o tucano contará com uma ampla estrutura de aliados espalhada por todo o estado, que foi construída no cargo de governador. Por outro lado, terá de lidar com as críticas pelas medidas impopulares que tomou à frente do Palácio Iguaçu, como aumento de impostos e arrocho aos servidores, e também pelos diversos escândalos de corrupção.

Foto: Reprodução/Facebook
Foto: Reprodução/Facebook

Roberto Requião (PMDB) – senador 

Talvez o político mais vitorioso da história recente do estado, Requião vem se dando ao luxo de navegar com um pé em cada canoa até aqui. Por um lado, diz que tentará se eleger governador pela quarta vez, inclusive irritando-se por ter ficado de fora da mais recente pesquisa eleitoral ao governo feita pelo Ibope. A missão, porém, não seria simples, diante da carência de apoios no interior, da divisão interna do PMDB no estado e da carga da imagem de defensor do ex-presidente Lula. Já se o peemedebista optar por disputar a reeleição, esses problemas tenderiam a se diluir, num pleito com duas vagas e que costuma tornar vitoriosos nomes já consolidados.

Foto: Átila Alberti
Foto: Átila Alberti

Christiane Yared (PP) – deputada federal

Deputada federal mais votada do Paraná em 2014, Christiane Yared aposta em ser um nome que corra por fora, de certa forma distanciada dos políticos tradicionais em meio ao completo descrédito da categoria. A parlamentar garante que, ao longo do atual mandato, conseguiu construir pontes e angariar apoios no interior, já que foi eleita para a Câmara basicamente com votos de Curitiba. No entanto, em um partido relativamente pequeno como o PR, ela pode encontrar dificuldades para fazer decolar uma campanha contra figurões, como Richa e Requião.

Foto: Arquivo
Foto: Arquivo

Ney Leprevost (PSD) – deputado estadual 

Ex-vereador em Curitiba e deputado estadual no terceiro mandato consecutivo, Leprevost considera ter subido de patamar depois de ficar muito perto de se eleger prefeito da capital – foi derrotado por Rafael Greca (PMN) por apenas 56,5 mil votos de diferença. O parlamentar aposta nessa força conquistada em 2016 para, desta vez, ter sucesso numa disputa majoritária. Além do apoio dos eleitores curitibanos, ele vê a chance de decolar no interior fazendo campanha com Ratinho Jr. a tiracolo, que é do mesmo partido dele e um dos nomes favoritos ao governo do estado. Não há como prever, porém, se isso será suficiente para tirá-lo do anonimato para a maior parte do eleitorado paranaense.

Foto: Arquivo
Foto: Arquivo

Alex Canziani (PTB) – deputado federal 

Vereador e vice-prefeito de Londrina na década de 1990, está na Câmara Federal desde 1999 de forma ininterrupta. Costuma se eleger com o mote de “deputado da educação”, tendo sido, por exemplo, relator da lei que criou os institutos federais no país e criador da Frente Parlamentar da Educação no Congresso. No entanto, para se eleger senador numa briga com Richa e Requião, será preciso mais do que isso. Além de não ser de um dos grandes partidos, terá de enfrentar o desconhecimento do nome dele pela quase totalidade dos eleitores do estado. Por outro lado, fará campanha ao lado de Richa e tende a se beneficiar da imagem do tucano para brigar pela segunda cadeira em disputa.

Foto: Arquivo
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Fernando Francischini (PSL) – deputado federal

Delegado da Polícia Federal, exerce o segundo mandato consecutivo de deputado federal. Ganhou notoriedade – para o bem e para o mal – com o episódio que ficou conhecido como Batalha do Centro Cívico. No confronto entre policiais e servidores em 29 de abril de 2015, quando 213 pessoas saíram feridas, ele era o secretário de Segurança. Recentemente, inclusive, disse que faria tudo outra vez. Aposta num discurso de direita em um estado tradicionalmente avesso ao PT e, também, na candidatura presidencial de Jair Bolsonaro, da qual é uma espécie de coordenador. Mas ser pouco conhecido e de um partido nanico serão obstáculos pesados numa inédita eleição majoritária para ele.

Foto: Arquivo
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Flávio Arns (Rede) – ex-senador

Sobrinho de Zilda Arns, sempre militou na promoção social e na luta por direitos das pessoas com deficiência. Já foi deputado federal, senador, vice-governador e secretário de Estado – atualmente está sem mandato. Numa carreira política curiosa, já esteve no PSDB e no PT e, como completo azarão, elegeu-se senador em 2002, derrotando o ex-governador Paulo Pimentel. Numa eleição tão dividida como se avizinha, espera mais uma vez correr por fora. A candidatura dele, porém, parece mais uma forma de tentar fortalecer no estado o nome da ex-senadora Marina Silva na corrida presidencial.

https://www.tribunapr.com.br/noticias/politica/faltando-mais-de-um-ano-pra-eleicao-pra-governador-ratinho-jr-aparece-como-favorito-em-pesquisa/