Foto: Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil

Presidente do Conselho, Ricardo Izar e José Mentor.

O Conselho de Ética da Câmara aprovou ontem pedido de cassação do deputado José Mentor (PT-SP), acusado de envolvimento no esquema do mensalão. O placar foi mais desfavorável a Mentor do que na semana passada, quando o colegiado rejeitou o parecer do deputado Edmar Moreira (PFL-MG), que pedia o arquivamento do processo. Na semana passada, foram 8 votos contra Mentor e 6 favoráveis. Na reunião de ontem, o parecer favorável à cassação do deputado Nelson Trad (PMDB-MS), indicado relator depois da derrota do parecer de Moreira, foi aprovado com 9 votos a favor e 4 contrários.

O PP, que tem dois votos no colegiado, não estava completo e o deputado Benedito de Lira (PP-AL), que havia votado a favor de Mentor na semana passada, apoiou o relatório de Trad com o argumento de que a decisão de ontem não julgava o mérito do processo, mas sim se o texto do novo relator estava correto.

O processo de Mentor segue ao plenário da Câmara, depois de cumprido o prazo de cinco sessões para recurso. Mentor disse que ainda conversaria com seus advogados para decidir se recorrerá ou não à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), contra a aprovação de seu pedido de cassação. No plenário, o voto é secreto. Para cassar o mandato do deputado são necessários 257 votos.

Mentor foi acusado de receber R$ 120 mil de empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como um dos operadores do mensalão. O deputado argumenta, em sua defesa, que o dinheiro foi recebido em pagamento pela consultoria prestada pelo seu escritório de advocacia: José Mentor, Pereira Mello e Souza, a empresa de Rogério Tolentino, sócio de Marcos Valério. O petista prossegue em sua defesa afirmando que as notas fiscais pelo serviço foram emitidas e seus respectivos impostos foram pagos.

Para o relator, o deputado usou o escritório de advocacia como uma "máscara". "Não resta dúvida de que o representado recebeu, por intermédio de seu escritório de advocacia, a quantia de R$ 120 mil de empresa pertencente a Marcos Valério, facilitador do Banco Rural e peça-chave nos escândalos, sem nenhuma contraprestação que se possa dizer equivalente", disse Trad em seu parecer. Parlamentares do conselho consideraram também que Mentor protegeu o Banco Rural, quando foi relator da CPI do Banestado, que funcionou entre 2003 e 2004 para analisar a remessa ilegal de dinheiro ao exterior.