A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado rejeitou nesta quarta (8), por 14 votos a 7, dois requerimentos convidando o ex-ministro-chefe da Casa Civil Antonio Palocci para depor. De iniciativa do PSDB e do PSOL, tratava-se inicialmente de convocações. Porém, como só os ministros de Estado são obrigados a atender os chamados do Congresso, os pedidos perderam força com a saída de Palocci. Mesmo se fossem aprovados, o ex-ministro não seria obrigado a atendê-los.

O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), tentou evitar a votação dos convites, alegando que o Palocci, sem cargo público, só deve explicações à Receita Federal, “e ele já deu”, e ao Ministério Público, “que já se pronunciou”. “Fica aqui meu apelo para evitar uma matéria que desde ontem perdeu o sentido”, alegou.

A oposição discordou. Para o líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), a saída de Palocci não exime os parlamentares de buscarem a verdade. “Há questões veiculadas na imprensa e há indícios consistentes (de irregularidades) que não foram esclarecidos. A sociedade merece uma manifestação de respeito”, disse Dias.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) relacionou uma série de indagações sobre as atividades de Palocci como consultor que permanecem sem respostas. Ele quer saber, por exemplo, quem foram os clientes do ex-ministro, o tipo de serviço prestado e qual é a garantia de que ele não “assegurou facilidades” no governo. “Há indícios que ele fez uma enorme lambança, misturando o público com o privado”, acusou.

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) disse que a oposição não se move por nenhuma tentativa de perseguir o ex-ministro. “Já disse que reconheço nele muitos méritos no cargo de Ministro da Fazenda, quando deu um tratamento republicano para a Prefeitura de São Paulo”, mas é importante que ele coloque as coisas em pratos limpos”, afirmou.

O líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), rebateu os colegas da oposição, alegando que os requerimentos perderam o objeto “porque Palocci não é mais servidor público”.